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Opinião | Como funciona, na prática, uma sessão de Forest School: Uma sala de aula sem paredes

Por Jorge Fonseca | Líder em Forest School Nível 3 

Numa Forest School, a aprendizagem acontece ao ar livre, mas uma sessão vai muito além de “levar crianças para a floresta”. Existe preparação, intencionalidade pedagógica e uma estrutura pensada para promover autonomia, descoberta e desenvolvimento integral.

Cada sessão adapta-se ao grupo, à idade das crianças, ao espaço natural e até às condições meteorológicas. Ainda assim, existem elementos comuns que ajudam a compreender como funciona esta metodologia na prática.

O encontro e a preparação do grupo

Ao chegar ao espaço natural, as crianças começam normalmente por vestir roupa adequada: impermeáveis, botas, chapéus ou camadas quentes, dependendo da estação do ano.

Uma das primeiras aprendizagens numa Forest School é precisamente aprender a estar confortável na natureza. Depois disso, o grupo reúne-se em círculo. Este momento inicial serve para:

– dar as boas-vindas;
– relembrar limites e regras de segurança;
– apresentar possíveis materiais ou desafios;
– observar o ambiente à volta;
– escutar como cada criança chega naquele dia.

Muitas vezes, o educador aproveita este momento para incentivar a observação:
“Que sons conseguimos ouvir?”
“O que mudou desde a última sessão?”
“Como está o solo hoje?”

Exploração livre: o centro da sessão

A maior parte do tempo é dedicada à exploração livre e autónoma. Ao contrário de atividades demasiado dirigidas, as crianças escolhem o que querem fazer dentro de um ambiente preparado e seguro. É precisamente nesta liberdade que acontece grande parte da aprendizagem.

Na prática, uma sessão pode incluir:

– construir cabanas com paus e ramos;
– cozinhas de lama;
– subir árvores;
– criar cordas ou baloiços;
– observar insetos e plantas;
– procurar pegadas;
– transportar troncos;
– fazer pequenas fogueiras (quando adequado e supervisionado);
– usar ferramentas reais, como serras ou descascadores, em idades apropriadas;
– inventar jogos simbólicos e histórias.

Frequentemente, materiais simples tornam-se recursos educativos ricos. Um pau pode ser uma colher, uma cana de pesca, uma espada imaginária ou parte de uma construção.

Aprender através da experiência

Numa Forest School, as aprendizagens surgem das experiências reais. Quando uma criança tenta equilibrar-se num tronco, está a desenvolver coordenação motora e perceção do risco. Quando constrói um abrigo em grupo, trabalha cooperação, comunicação e resolução de problemas.
Mesmo atividades aparentemente simples têm grande valor educativo.

Por exemplo:

– acender fogo ensina paciência e responsabilidade;
– usar ferramentas desenvolve concentração e autocontrolo;
– brincar livremente estimula criatividade e autonomia;
– lidar com chuva, frio ou lama aumenta resiliência e adaptação.

O papel do educador no terreno

O educador não está constantemente a dirigir a atividade, mas está sempre presente de forma ativa e observadora.

Na prática, isso significa:

– avaliar riscos;
– apoiar conflitos entre crianças;
– incentivar descobertas;
– fazer perguntas em vez de dar respostas prontas;
– observar interesses individuais;
– adaptar desafios ao desenvolvimento de cada criança.

Em vez de dizer “faz assim”, o educador pergunta:

“O que achas que pode resultar?”
“Como poderias tornar essa estrutura mais estável?”

O objetivo é que a criança pense, experimente e descubra.

O valor do risco controlado

Um dos aspetos mais característicos da Forest School é permitir riscos adequados à idade e capacidade das crianças. Subir árvores, usar ferramentas ou caminhar em terrenos irregulares pode parecer desafiante, mas estas experiências ajudam a desenvolver:

– consciência corporal;
– confiança;
– capacidade de decisão;
– responsabilidade;
– avaliação de perigo. A ideia não é eliminar todo o risco, mas ensinar as crianças a lidar com ele de forma segura.

O encerramento da sessão

No final, o grupo volta normalmente a reunir-se. Este momento serve para:

– partilhar descobertas;
– refletir sobre experiências;
– agradecer ao espaço natural;
– arrumar materiais;
– reforçar o sentido de comunidade.

Muitas vezes, as crianças contam aquilo de que mais gostaram, mostram construções feitas ou falam sobre desafios superados.

Muito mais do que brincar ao ar livre

Embora uma sessão de Forest School pareça simples à primeira vista, existe uma forte intenção educativa por trás de cada experiência. A natureza torna-se um espaço onde as crianças podem experimentar o mundo de forma real, ativa e significativa. Num tempo em que muitas infâncias acontecem entre paredes e ecrãs, a Forest School relembra algo essencial: aprender também pode acontecer com terra nas mãos, chuva no rosto e curiosidade nos olhos.

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