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Chaves | Vidagrafo mantém vivo o legado de Paulo Santos: “A poesia é o nosso abraço”

A segunda edição das Sessões Vidagrafo homenageou, em Vidago, o escritor Paulo Santos, falecido no ano passado, com uma noite dedicada à poesia, à música e à continuidade do seu legado cultural.

A sessão, realizada no sábado, 11 de julho, contou com a participação de vários declamadores flavienses do grupo Pontas Soltas, com a apresentação do Concurso de Poesia Paulo Santos e com o espetáculo “Canções para Poetas”, protagonizado pelo ator André Gago, na voz e flauta, e pelo pianista Víctor Zamora.

A programação começou com um momento de “Stand Up Poetry”, durante o qual os elementos do grupo Pontas Soltas deram voz a vários poemas e se associaram à homenagem ao escritor vidaguense.

Seguiu-se “Canções para Poetas”, espetáculo que cruzou declamação e música e marcou o regresso de André Gago ao Vidagrafo.

“Gosto muito de cá vir e esta ideia das sessões é uma forma inteligente de prolongar a iniciativa no tempo e de manter a presença do Vidagrafo na agenda. Surgiu este convite, eu tinha este projeto e acharam que fazia sentido voltar aqui”, afirmou.

Poder transformador da poesia

André Gago defendeu que a poesia não se limita à palavra escrita e pode ser encontrada em diferentes formas de expressão artística e no próprio quotidiano.

“Celebrar a poesia é uma coisa diária. Temos de encontrar todos os dias esse poder transformador, que por vezes nem sequer está nas palavras, está nas próprias coisas. Há poesia visual, há poesia musical e há poesia que não tem nome. É uma forma de estar vivo e de procurar entender o mundo de uma maneira menos literal, mais transformadora, mais pessoal e mais partilhável”, declarou.

Conhecido sobretudo pelo trabalho como ator, André Gago recordou que a sua atividade artística inclui também a declamação, a escrita de ficção e a composição musical.

Música ao serviço da palavra

Víctor Zamora explicou que a colaboração com André Gago começou há vários anos e que o formato apresentado em Vidago corresponde a uma versão mais intimista de um projeto que também pode assumir configurações de trio e quinteto.

“Para mim, foi sempre uma curiosidade e um desafio muito grande tocar música com poemas. Está tudo muito medido e ligado, mas é preciso colocar emoção, ouvir a obra, sentir aquilo que o poema diz e acompanhar a forma como o André se expressa”, afirmou.

O pianista destacou ainda o ambiente encontrado em Vidago e manifestou vontade de regressar.

“Adorei o sítio. É muito bonito, tranquilo e tem uma energia incrível. Estou a pensar seriamente em voltar, passar aqui um fim de semana e conhecer melhor Vidago”, disse.

Concurso perpetua memória

A presidente da União das Freguesias de Vidago, Ana Fontes, explicou que o Concurso de Poesia Paulo Santos foi criado para preservar a memória do escritor e incentivar o aparecimento de novos autores.

“Para perpetuar a memória do Paulo e dar voz a novos poetas, apresentamos o Concurso de Poesia Paulo Santos. Podem concorrer poetas de Vidago, de Portugal inteiro e de onde quiserem. Não é obrigatório escrever apenas sobre Vidago. Podem escrever sobre aquilo que os move”, afirmou.

Ana Fontes recordou Paulo Santos como alguém capaz de encontrar poesia nas ruas, nas pessoas e nas tradições da vila, sem deixar de abordar temas universais.

“O Paulo tinha o dom de olhar para Vidago e ver poesia no que era simples, nas ruas, nas pessoas e nas nossas tradições, mas falava também do que é universal, como a saudade, a amizade e o amor. Os seus poemas são o espelho de quem somos e é por isso que não podemos deixar que esse legado se perca”, declarou.

Cultura como investimento

A autarca defendeu ainda que a cultura deve integrar a estratégia de desenvolvimento e valorização do território.

“A cultura não é um custo, é o investimento que dá alma a uma freguesia. Quando celebramos um poeta novo, estamos a dizer ao mundo que aqui se pensa, se cria e se sente. Quando abrimos espaço para novos poetas, estamos a semear o futuro”, sustentou.

Ana Fontes agradeceu o contributo das pessoas envolvidas na organização e dos participantes que se associaram à homenagem.

“Num dia de saudade, a poesia é o nosso abraço e todos os que lhe dão voz fazem parte desse abraço”, concluiu.

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