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Chaves | Folgança Galaico-Romana levou cerca de 800 visitantes ao Castro de Curalha

A nona edição da Folgança Galaico-Romana levou cerca de 800 visitantes ao Castro de Curalha, no concelho de Chaves, durante dois dias dedicados à recriação histórica, às tradições locais e à valorização do património arqueológico.

O balanço foi feito pelo presidente da Associação de Desenvolvimento Local – Castrum, António Martinho, que considerou positiva a adesão do público, embora tenha admitido que a iniciativa ainda tem margem para crescer.

“Pela minha estimativa, passaram por aqui, no sábado e no domingo, cerca de 800 visitantes. Não é mau, mas podia ser melhor”, afirmou.

A edição deste ano contou com cerca de 20 expositores, oriundos da região e de outros pontos do país, além de animação histórica, gastronomia e atividades dirigidas às famílias.

Entre as principais novidades esteve a presença de animais, com um pónei, um dromedário e um lama a despertarem a curiosidade dos visitantes, sobretudo das crianças.

“Tivemos animais em edições anteriores, mas este ano fomos um pouco além das expectativas. As crianças puderam passear e acho que essa parte esteve muito bem”, explicou António Martinho.

História recriada

As recriações históricas ficaram a cargo do Covil do Lobo, liderado por Francisco Esteves, que procurou mostrar ao público as diferenças entre o quotidiano dos povos galaicos e o modo de vida romano.

“Nós tentamos recriar, em particular, este período histórico, que é o galaico-romano. Procuramos mostrar a diferença entre os Romanos, a vida e o equipamento que tinham, e os Galaicos, que eram os povos que habitavam a Península Ibérica, bem como os seus costumes, tradições e a hierarquia existente num castro”, explicou.

Francisco Esteves salientou que a preparação de uma recriação histórica exige investigação, planeamento e adaptação ao espaço onde decorre o evento.

“Não é fácil reproduzir todos os pormenores, porque não vivemos naquele período, mas tentamos ser o mais fiéis possível à realidade daqueles povos”, afirmou.

O responsável, que trabalha na área há mais de duas décadas, explicou que cada evento implica um trabalho prévio de seleção de artistas, construção das personagens e articulação entre diferentes grupos.

“Onde quer que façamos um evento, há um trabalho de casa muito grande. Damos tudo por tudo para levar ao público a melhor experiência possível, para que as pessoas saiam com algo novo e diferente”, declarou.

Castro singular

Francisco Esteves destacou também as características do Castro de Curalha, que classificou como um espaço distinto de outros povoados fortificados existentes no país.

“Este castro é único porque conseguimos vê-lo praticamente na íntegra. As muralhas, as entradas e as casas estão expostas e isso permite imaginar como era viver naquele lugar”.

“Quando entro naquele castro e vejo as muralhas a toda a volta, as entradas e as casas, começo a imaginar o modo de vida daquelas pessoas. Noutros castros, ainda por escavar, é mais difícil perceber o que existe por baixo”, acrescentou.

Francisco Esteves defendeu que a preservação do espaço deve respeitar a sua configuração original, sem intervenções que alterem a leitura histórica.

“O que interessa é que o castro está ali parado no tempo, depois de milhares de anos. Devemos zelar por ele, mantê-lo limpo e intacto, sem mexer nas pedras ou modificar aquilo que chegou até nós”, sustentou.

Participação local

Apesar do balanço positivo, o presidente da Castrum lamentou a reduzida participação dos habitantes da freguesia, estimando que apenas cerca de 40% da população local tenha passado pelo recinto.

“Fiquei um pouco desiludido com o povo de Curalha. As pessoas deveriam ser mais participativas”, declarou.

António Martinho reconheceu que o calor e a realização de outras atividades durante o fim de semana poderão ter condicionado a afluência, mas defendeu uma maior valorização do evento e do próprio castro.

“Esta festa tem condições para continuar, tem mais vida para dar e mais novidades para trazer. O Castro de Curalha é um ex-líbris da freguesia e as pessoas têm de o conhecer”, sustentou.

O dirigente criticou ainda a falta de manutenção regular do sítio arqueológico. António Martinho deixou também uma palavra de reconhecimento a quem tem contribuído para divulgar o evento e projetar o nome de Curalha além da região.

Futuro em aberto

O atual mandato da direção da Castrum termina em dezembro, estando previstas eleições para os órgãos sociais.

António Martinho, um dos fundadores da associação, ainda não decidiu se voltará a integrar uma candidatura, mas garantiu que continuará disponível para colaborar.

“Esperamos que apareçam listas e equipas capazes de dar continuidade a esta coletividade. Mesmo que não fique na direção, estarei cá para colaborar e ajudar naquilo que puder”, afirmou.

Criada há nove anos, a Castrum tem assumido a promoção do Castro de Curalha e da Folgança Galaico-Romana como os principais eixos da sua atividade.

“Tem valido a pena. O nome do Castro de Curalha já chegou longe e é cada vez mais conhecido”, concluiu.

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