O Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso (MACNA), em Chaves, assinalou dez anos de atividade com a inauguração de duas exposições dedicadas aos artistas que definem a identidade do equipamento: Nadir Afonso e Álvaro Siza Vieira.
As mostras “Nadir Afonso – Cartografias para o Infinito ou ‘O Sentido da Arte’” e “Álvaro Siza – Caminhos Cruzados” permanecem abertas ao público até 13 de junho do próximo ano, de terça-feira a domingo, entre as 10h00 e as 13h00 e das 14h30 às 18h30.
O presidente da Câmara de Chaves, Nuno Vaz, considerou “muito gratificante” celebrar uma década de funcionamento de um equipamento que, apesar de instalado num território do interior, entende poder ocupar um lugar de destaque em qualquer grande cidade.
Nuno Vaz destacou a singularidade do edifício, projetado por Álvaro Siza Vieira para acolher o legado artístico de Nadir Afonso, considerando que o espaço estabelece uma ligação entre duas linguagens criativas.

“Este edifício tem essa excecionalidade de fazer a fusão entre a arquitetura e a pintura, entre um mestre da arquitetura, Siza Vieira, e um mestre da pintura, Nadir Afonso”, salientou.
Duas exposições, duas personalidades
A exposição dedicada a Nadir Afonso reúne cerca de 140 obras e propõe uma leitura alargada do percurso artístico e do pensamento estético do pintor flaviense. A mostra tem curadoria de Rui A. Maia e resulta de uma organização conjunta do Município de Chaves e da Fundação Nadir Afonso.
Já “Álvaro Siza – Caminhos Cruzados”, com curadoria de António Choupina, integra o Programa de Exposições Itinerantes da Coleção de Serralves e reúne retratos realizados pelo arquiteto entre 1949 e 1950, numa abordagem à relação entre arte, desenho e arquitetura.
Para Nuno Vaz, as duas exposições constituem um motivo acrescido para visitar o museu.
“Temos aqui uma exposição, em algumas das suas dimensões, absolutamente surpreendente, um lado artístico e de desenho de Siza que eu não conhecia e que dialoga com uma exposição absolutamente fantástica e ímpar de Nadir Afonso”, declarou.
O autarca defendeu ainda um maior envolvimento do Estado na programação e no financiamento do MACNA, considerando que o equipamento não deve depender apenas dos recursos municipais.

“Era importante que este museu não ficasse apenas às expensas da responsabilidade do município. Devia ser um equipamento de âmbito regional e ter apoio na sua programação normal”, afirmou.
Nuno Vaz garantiu que a autarquia continuará a procurar parcerias com instituições como a Fundação Nadir Afonso e a Fundação de Serralves, embora tenha reconhecido que a manutenção de uma programação cultural desta dimensão representa uma exigência elevada.
Atrair os flavienses ao Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso
A presidente da Fundação Nadir Afonso, Laura Afonso, destacou a relação entre o edifício e a obra exposta, classificando Álvaro Siza como o criador do “continente” e Nadir Afonso como o responsável pelo “conteúdo”.
Laura Afonso explicou que a exposição de Siza Vieira incide sobretudo na figura humana, enquanto a mostra de Nadir Afonso percorre diferentes fases da carreira do artista, desde o surrealismo até à participação nas vanguardas internacionais da arte cinética.
“Nadir foi surrealista muito antes de aparecer o segundo movimento surrealista de Lisboa. Estava antes do tempo”, destacou.
A responsável considerou positivo o percurso do MACNA durante a primeira década, mas apontou a aproximação da população local ao museu como um dos principais desafios para os próximos anos.
“Primeiro de tudo, temos de trazer os flavienses para dentro do museu. Esse é o ato mais difícil de fazer, porque santos da casa não fazem milagres”, afirmou.
Laura Afonso defendeu o reforço do serviço educativo e de uma programação capaz de criar hábitos de visita desde a infância.
“O aluno vem, gosta e diz aos pais que esteve no museu com a escola. Isso também traz público”, explicou.
A presidente da fundação salientou igualmente a importância da comunicação para atrair visitantes nacionais e estrangeiros, recordando que o museu já recebeu grupos universitários de países como Coreia, Suécia, Suíça, Polónia e Grécia.
“Fazemos um balanço positivo, mas ainda há muito caminho para andar. Este caminho faz-se caminhando”, concluiu.


