A economia da Região Norte apresentou um desempenho globalmente positivo no terceiro trimestre de 2025, com crescimento do emprego, valorização salarial e uma evolução favorável do turismo, apesar de alguns sinais de abrandamento em setores específicos. As conclusões constam do relatório trimestral Norte Conjuntura, elaborado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR NORTE).

De acordo com o documento, a população empregada no Norte aumentou 2,4% face ao mesmo período de 2024, totalizando cerca de 1,8 milhões de pessoas, o valor mais elevado desde 2011. Este crescimento foi impulsionado sobretudo pelos setores secundário e terciário, com destaque para as indústrias transformadoras, que registaram um aumento de 4,8%, correspondente a mais 19,7 mil postos de trabalho. Também as atividades de informação e comunicação evidenciaram um crescimento expressivo, com uma subida de 34,0%, traduzida em mais 18 mil empregos.
A taxa de desemprego na Região Norte fixou-se nos 6,1%, registando uma diminuição face ao período homólogo, embora permanecendo ligeiramente acima da média nacional, que se situou nos 5,8%.
No que respeita aos rendimentos, o salário líquido médio mensal dos trabalhadores por conta de outrem atingiu os 1.237 euros, o que representa um aumento real de 4,8% em termos homólogos. Apesar da evolução positiva, este crescimento ficou abaixo da média nacional, que registou um aumento real de 6,0%. Os maiores acréscimos salariais verificaram-se nos setores da agricultura (+15,8%), construção (+13,1%) e transportes e armazenagem (+12,0%).
O turismo continuou a ser um dos motores da economia regional. As dormidas em estabelecimentos turísticos cresceram 3,0% e o número de hóspedes aumentou 1,8%, ambos acima da média nacional. Os proveitos totais ultrapassaram os 407 milhões de euros, refletindo um crescimento de 7,1% face ao mesmo trimestre do ano anterior.
No comércio externo, as exportações de bens do Norte registaram uma variação positiva de 0,4%, invertendo a tendência negativa observada no trimestre anterior. Este desempenho contrasta com a quebra de 0,5% verificada a nível nacional. O crescimento das exportações foi sustentado sobretudo pelos mercados da União Europeia, com um aumento de 2,1%, destacando-se os bens de capital, que cresceram 5,3%.
Em sentido inverso, o licenciamento de edifícios na Região Norte diminuiu 3,2%, interrompendo a trajetória de crescimento registada nos trimestres anteriores, sinalizando alguma desaceleração no setor da construção.
Por fim, a taxa de inflação na Região aumentou para 2,9%, situando-se acima da média nacional, que foi de 2,6%. Esta subida foi influenciada, em particular, pelo aumento dos preços dos produtos alimentares não transformados, que registaram uma variação de 7,4%.
No conjunto, o relatório da CCDR NORTE aponta para uma economia regional resiliente, com indicadores positivos no emprego, rendimentos e turismo, mas alerta para desafios associados à inflação e à desaceleração em alguns setores da atividade económica.



