Procurar

Sabores de Chaves | Nuno Vaz: “Não fazem apenas fumeiro, cuidam do nosso território” e geram dinâmica económica no concelho

Apesar das condições meteorológicas adversas, com chuva intensa e vento forte, o certame gastronómico Sabores de Chaves voltou, de 31 de janeiro a 2 de fevereiro, a ser um dos grandes momentos de afirmação do mundo rural em Chaves. O presidente da câmara, Nuno Vaz, em entrevista à Komunica Magazine, faz um balanço positivo de mais uma edição, sobretudo da forte afluência de visitantes e do papel estratégico dos produtores no desenvolvimento económico do concelho.

Grande afluência neste domingo. Como correu o fim de semana?

A expectativa era elevada, apesar de conhecermos as condições meteorológicas adversas, com muita chuva e muito vento, o que naturalmente suscita sempre alguma reação negativa por parte das pessoas. Ainda assim, a verdade é que nestes últimos três dias, mesmo na sexta-feira e no sábado, mas particularmente hoje, tivemos muita gente. Muita gente circulou pelo espaço da feira, aproveitou para interagir, para adquirir produtos, para conviver. O que aqui se sentiu foi uma feira com verdadeiro sentimento de festa.

Já falou com os produtores? Como avaliam as vendas desta edição?

Nós temos uma metodologia própria de avaliação da feira. Essa avaliação é feita posteriormente, após o encerramento, e os produtores pronunciam-se, muitas vezes por escrito, outras vezes em reunião que realizamos com eles. Avaliam todas as dimensões da feira, desde as questões logísticas, acessibilidades, aspetos positivos e negativos. Isso permite-nos, numa próxima edição, incorporar sugestões e contributos que possam melhorar o evento.

Da perceção que fui recolhendo junto de alguns produtores, embora não tenha falado com todos, a expressão é claramente positiva. Foi mais uma feira realizada, a 21.ª edição, e isso gera naturalmente vontade de voltar na próxima.

Há aspetos a melhorar nas próximas edições?

Há sempre aspetos a melhorar. Sabemos que temos limitações físicas, porque este pavilhão é o que temos disponível. Ainda assim, quero agradecer o compromisso e a grande disponibilidade da equipa que gere este projeto, nomeadamente a senhora vereadora Paula Chaves, a arquiteta Joana e todos os elementos envolvidos.
Apesar de não ser um espaço novo, foi bem desenhado, com uma arquitetura e uma funcionalidade que permitem que o espaço expositivo e de venda funcione adequadamente. Conseguimos ter um espaço de animação, um espaço lúdico para as crianças e uma resposta integrada, até que um dia possamos ter um verdadeiro pavilhão multiusos que dê as condições que estes produtores merecem e ambicionam há muito tempo.

Alguns visitantes referiram que os preços estavam elevados. Como responde a essas críticas?

Essa é uma decisão exclusivamente dos produtores. Esta feira realiza-se com o propósito de manter e perpetuar uma tradição ancestral. As decisões sobre datas, horários e preços são tomadas pelos próprios produtores, por maioria.
O município não tem aqui uma atitude regulatória ou impositiva. Funciona o mercado. Os preços são definidos pelos produtores e são importantes para valorizar o trabalho de quem se dedica durante grande parte do ano à confeção e conservação destes produtos. Naturalmente, é preciso encontrar um equilíbrio, e esse equilíbrio é que determinará o maior ou menor sucesso da feira.

Tem ideia de quantos quilos de produtos entraram nesta edição?

Não lhe consigo dizer números concretos. Certamente foram muitos quilos, centenas e até milhares. Isso é motivo de grande satisfação, porque significa que os produtores realizaram bons negócios. Mas o segredo da venda pertence-lhes a eles. São eles que devem falar na primeira pessoa sobre esses valores.

Como é garantido o controlo e a qualidade dos produtos vendidos?

Esse acompanhamento é feito ao longo de todo o ano, sobretudo pela divisão de desenvolvimento económico, em articulação com a veterinária municipal. O objetivo é garantir que todo o processo decorre com segurança.
Todos os produtores aqui presentes têm cozinhas certificadas e estão licenciados para a produção de fumeiro. Isso significa que não produzem apenas para a feira, mas vendem ao longo do ano, e todo o processo é controlado, desde as instalações até à confeção. Isso garante a qualidade do produto final.

Esta feira representa também a ligação entre o mundo rural e a cidade?

Eu acredito que todos nós somos urbanos e rurais. Chaves tem essa fusão muito própria. Umas vezes somos mais urbanos, outras mais rurais, e hoje somos sobretudo rurais. Esta feira mostra isso mesmo.

Que mensagem final deixa sobre o papel dos produtores locais?

As pessoas continuam a apostar nos produtos genuínos e a valorizar estes recursos. Quem se dedica ao fumeiro não faz apenas fumeiro. Estas pessoas cuidam das nossas tradições, guardam o nosso território e são fundamentais para o desenvolvimento económico.

São verdadeiros artesãos e artífices, que merecem o nosso reconhecimento e o nosso apoio. E apoiar passa, acima de tudo, por continuar a comprar os seus produtos e ajudar a que esta atividade se mantenha viva.

Discover more from KomunicaMagazine

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading