O evento gastronómico Sabores de Chaves abriu ontem, sexta-feira, portas no Pavilhão Municipal na presença do secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, que aproveitou a ocasião para anunciar investimentos em equipamentos, apoio ao pastoreio e medidas de prevenção de incêndios.

Na sua intervenção, Rui Ladeira destacou o papel dos produtores e a diversidade dos produtos apresentados no certame flaviense, assim como lembrou que a agricultura, a floresta e a pecuária devem ser atividades atrativas e com futuro.
“Este concelho e esta região têm produtos extraordinários, e o que estamos a fazer é trabalhar para os valorizar, criar inovação e promover a renovação geracional, garantindo que esta autenticidade se mantém para as próximas gerações”, afirmou.
O governante sublinhou a ligação entre a produção local e o turismo, referindo que a atratividade do território passa pela capacidade de oferecer produtos e experiências aliadas à identidade local.
No plano das políticas públicas, Rui Ladeira centrou a sua intervenção na valorização da floresta, da agricultura e da pecuária, com especial destaque na prevenção de incêndios.
“É preciso capacitar o território, dotar os municípios de equipamento, melhorar caminhos florestais e criar condições para incentivar o investimento”, disse, apontando a entrega de maquinaria pesada aos municípios, o reforço dos meios das equipas de sapadores e o apoio às comunidades intermunicipais.
Apoios para a valorização da floresta, da agricultura e da pecuária
O secretário de Estado deu ainda conta de medidas em curso e previstas, como o programa Floresta 2050, o apoio ao pastoreio financiado pelo Fundo Ambiental, e novas linhas de apoio.

“Vamos abrir uma linha de financiamento para os fogos controlados, com comparticipação das despesas, garantindo condições de segurança. Vamos também lançar concursos para combater espécies invasoras em áreas públicas e baldias”.
Rui Ladeira defendeu que a agricultura, a pecuária e a floresta devem ser encaradas como atividades com futuro.
“Estas áreas têm de ser vistas como atrativas, com inovação, tecnologia e oportunidades. Isso faz-se com recursos públicos, mas também com modernização e com sinais claros para quem quer investir”, afirmou, referindo a abertura de um aviso superior a 12 milhões de euros para modernização de equipamentos no setor florestal.
Já o presidente da Câmara de Chaves, Nuno Vaz, considerou que o certame vai além da vertente comercial.
“É mais do que uma feira, é uma festa, uma celebração da nossa história e da nossa identidade gastronómica”, afirmou, mostrando confiança na adesão do público, apesar das condições meteorológicas adversas.
Preservação do saber-fazer
O autarca destacou a diversidade de produtos presentes no certame: “O fumeiro, o presunto, o Pastel de Chaves, o folar, os licores, o artesanato e até as nossas termas mostram que existem muitas razões para vir ao Pavilhão Municipal”, disse, sublinhando o papel dos 77 expositores na preservação do saber-fazer local.
Relativamente à presença do secretário de Estado, Nuno Vaz defendeu uma abordagem mais estruturada à agricultura.
“A agricultura é um setor estratégico e não pode ser apenas uma gestão de fundos europeus. Tem de ser um instrumento de capacitação, afirmação e desenvolvimento”, afirmou, apontando a necessidade de inovação e qualificação, sem perder a especificidade de cada território.
O presidente da câmara reforçou ainda a importância dos produtores enquanto pilares da identidade local.

“Quem faz fumeiro, pastéis, folar ou presunto não está apenas a fazer economia. Está a fazer identidade. São guardiões da nossa paisagem e da nossa tradição”, sublinhou.
Nuno Vaz destacou também o papel do evento enquanto espaço de criação de relações económicas duradouras.
“A feira não é apenas um momento de venda. É um momento de afirmação e de criação de relações futuras, que permitem continuidade nos negócios ao longo do ano”, concluiu.
O evento Sabores de Chaves decorre até domingo, 1 de fevereiro, reunindo espaços de venda e degustação, animação cultural, iniciativas de cariz social e transmissão televisiva através do programa “Domingão”, da SIC.
A organização estima a presença de mais de 50 mil visitantes, provenientes de vários pontos do país e da Galiza.
*Conteúdo com apoio na sua produção.


