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Opinião | Reflexões da Nélita

Por Manuela Raínho //

Provavelmente será ainda prematuro fazer um balanço a este ano de 2025, mas como as crónicas são mensais parece-me oportuno.

Por outro lado, adormeço e acordo a interrogar-me sobre a estranha forma de vida em que se transformou o ano que marca o primeiro quartel do século XXI.

Se nos idos de 2001 me dissessem ao que ia assistir, hipoteticamente consideraria o vaticinador exagerado e as previsões no mínimo absurdas. Todavia, elas aí estão há já alguns anos a invadir-nos o espaço e sobretudo a tornarem-se algo de trivial, a câmara de horrores que é este mundo onde vamos vivendo. Dirá o leitor, «ela, hoje, acordou mesmo do lado esquerdo». Acredite que estes pensamentos, estas conjecturas já há algum tempo que me assolam. E, embora a minha psicóloga me diga sistemática e reiteradamente, que o importante sou eu, acredite que, quando dou por mim a ver televisão, os horrores da guerra da Ucrânia ou da Palestina, quando vejo (quase com naturalidade – e isso põe-me estarrecida – os drones, os misseis e guerras que lembram jogos de Playstation, enquanto saboreio um cacho de uvas ou uma laranja, com uma naturalidade filha da frequência, penso que já perdi a minha sensibilidade e a maior parte da dose de empatia e humanismo.

Outras vezes, dou por mim a especular sobre a visão de Putin, qual máscara de vilão do teatro Kabuki, a locomover-se entre alas de largos corredores dourados ladeado de lacaios; ou então o alarve do Trump esparramado atrás da secretária da sala oval, ladeado de bajuladores e onde a mole de um corpo flácido e balofo se espreme a assinar documentos que fazem tremer o resto do mundo. Por contraste, surge o irrequieto Zelensky, cuja voz rouca e sensual afronta aqueles e glorifica os seus homens; ou então a bisarma bizarra de Maduro – também ele flácido e cínico –  que vai discorrendo sobre o seu país e os seus com boutades de um patriotismo patrioteiro. Poderíamos falar ainda de alguns fantoches que, por eles, manipulam a Humanidade adormecida e endurecida na sua ignorância congénita, com tempos de glória e de uma nova ordem mundial que sub-repticiamente teima em instalar-se a qualquer preço e que mais tarde ou mais cedo o conseguirá…

Perguntar-se-á o leitor, «então a teoria do crescimento espiritual, da assunção do Amor Incondicional ou da necessidade imperiosa de atingirmos a Perfeição ou o Nirvana!? Onde fica? Como diria um revolucionário: «A luta continua!» Mas lutar para quê? A busca do nosso «EU» interior é peremptória, bem decerto, mas com uma realidade tão violente e disruptiva valerá a pena? Logo que conseguir responder a mim própria a essas interrogações sombrias e iluminar o lado mais obscuro da Humanidade, partilharei consigo o caminho. Por enquanto, vou caminhando, tentando atingir os meus desígnios; quanto ao leitor, tente fazer o mesmo; quantos mais formos, mais depressa chegaremos ao objectivo.

Gratidão por me ler e ajudar a discernir este labirinto que é a vida.

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