Apesar das condições climatéricas adversas, a 35.ª da Feira do Fumeiro de Montalegre terminou, domingo, com um balanço positivo, marcada pela forte adesão do público no final do certame, pela capacidade de resposta no terreno e pelo escoamento significativo dos produtos.
Em declarações no encerramento da feira, a presidente da Câmara de Montalegre sublinhou que as expectativas iniciais eram de preocupação, face à intensidade do nevão que se fez sentir ao longo de vários dias.
“O balanço é muito positivo, porque perante as circunstâncias que vivemos aquilo que temíamos era que efetivamente fosse um fracasso”, afirmou Fátima Fernandes.
A afluência variou ao longo dos quatro dias. Quinta-feira registou uma presença elevada de visitantes, sexta-feira ficou aquém do habitual, enquanto o fim de semana voltou a encher o recinto.
Grande parte do discurso da autarca centrou-se no trabalho desenvolvido pelas equipas de Proteção Civil, bombeiros, serviços municipais e entidades privadas, que permitiram manter as principais vias abertas durante o nevão.

“Foi um trabalho hercúleo. Houve momentos em que se limpava a estrada e, logo a seguir, vinha uma trovoada de neve e ficava tudo novamente encerrado. Só graças a uma equipa que andou dia e noite a colocar sal nas vias foi possível garantir a circulação”, referiu.
Fátima Fernandes destacou ainda que as corporações de bombeiros do concelho chegaram a apoiar municípios vizinhos, nomeadamente na limpeza da Estrada Nacional 2, e deixou críticas à atuação das Infraestruturas de Portugal.
“Houve muitos momentos em que a Nacional 103, que é da sua responsabilidade, esteve a cargo das nossas corporações de bombeiros”, apontou.
Plataforma online ativa para escoamento do fumeiro
Embora os números finais ainda não estejam fechados, a organização garante que as vendas superaram as expectativas iniciais.
“Aquilo que nos dizem é que as vendas foram muito, muito boas. Não esperamos números iguais aos do ano passado, mas há muito menos fumeiro do que se previa que pudesse existir nesta altura”, disse.
A partir do encerramento da feira, a plataforma online da Associação dos Produtores de Fumeiro da Terra Fria Barrosã ficou imediatamente disponível.
“Todas as pessoas que não tiveram oportunidade de vir a Montalegre podem agora adquirir o fumeiro diretamente aos produtores, escolhendo quem ainda tem produto disponível”, acrescentou.
Face ao risco de isolamento do concelho, chegou a ser equacionada uma alternativa: “Estávamos já a tratar do plano B, que passava por organizar outra feira do fumeiro, num local central, para garantir o escoamento de um ano de trabalho dos produtores”, revelou.
Questionado sobre aspetos a corrigir, a presidente do município recusou apontar falhas estruturais, admitindo apenas questões relacionadas com a circulação de pessoas.

“Os corredores estão pensados e previstos nos planos. As pessoas é que nem sempre os cumprem. Faz parte do espetáculo da feira, do ‘molho’”, afirmou.
Ainda assim, destacou o comportamento do público e a ausência de incidentes relevantes.
“Não houve atropelos nem situações graves. As pessoas mostraram alguma impaciência, mas foram unânimes em reconhecer o trabalho feito.”
Associações e animação cumpriram objetivos
A “Praça dos Sabores” registou grande afluência em todas as noites, com impacto direto nas associações locais envolvidas.
“As associações cumpriram o objetivo de servir bem quem nos visita e de garantir receitas para desenvolverem as suas atividades. Estamos a falar de bombeiros, IPSS e entidades com forte importância social no concelho”, concluiu Fátima Fernandes.
*Conteúdo com apoio na sua produção.


