A Escola Profissional de Chaves (EPC) está a preparar o próximo ano letivo, prevendo abrir até cinco turmas em áreas como informática, mecatrónica automóvel, turismo, cozinha, pastelaria, termalismo e receção. A instituição prepara ainda a inauguração de um Centro Tecnológico Especializado (CTE) na área da informática, investimento que pretende reforçar a qualificação dos alunos e responder às exigências de um mercado de trabalho em constante transformação.
Para o diretor executivo da EPC, Jorge Paulo Santos, o ensino profissional continua a ser uma das respostas mais eficazes para a formação dos jovens, conjugando habilitações académicas e competências técnicas.
“Os cursos chamam-se de dupla certificação e conferem exatamente isso, um diploma académico de 12.º ano e um certificado técnico ou profissional de nível 4, que habilita os alunos a exercer profissões para as quais estudam”, explicou.
O responsável sublinha que esta via de ensino não limita as opções dos estudantes após a conclusão do secundário.

“Quem estuda no ensino profissional não tem nenhuma porta fechada. Se quiser seguir para um Curso Técnico Superior Profissional tem acesso direto e, se pretender ingressar no ensino superior, faz os exames nacionais exatamente como qualquer outro aluno”, afirmou.
Numa altura em que a Inteligência Artificial (IA) assume cada vez maior protagonismo em diferentes setores de atividade, Jorge Paulo Santos acredita que as profissões ligadas ao saber-fazer poderão ganhar nova relevância.
“A atualidade é a IA e a IA está a demonstrar que vão ser as manualidades e as profissões de saber fazer que vão vingar em relação ao que tínhamos vindo a fazer até aqui. O futuro é promissor para quem sabe fazer coisas”, defendeu.
Segundo o diretor executivo, os alunos que concluírem percursos de formação técnica poderão beneficiar dessa tendência.
“Quem terminar o secundário com uma dupla certificação e com competências para o exercício de profissões ligadas ao saber-fazer terá vantagem. Consideramos que o ensino profissional prepara exatamente para isso”, acrescentou.
Centro Tecnológico Especializado reforça área da informática
Uma das principais novidades da escola passa pela criação de um Centro Tecnológico Especializado na área da informática, financiado através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

“Conquistámos a oportunidade de criar um Centro Tecnológico Especializado de Informática. É um investimento importante e demonstra a capacidade da escola para continuar a inovar e a responder às necessidades atuais”, destacou.
O novo equipamento surge numa altura em que a EPC procura consolidar a sua oferta formativa e reforçar as áreas tecnológicas, consideradas estratégicas para o futuro.
Mecatrónica automóvel regressa
Entre as áreas que a escola pretende disponibilizar no próximo ano letivo encontra-se novamente o curso de Mecatrónica Automóvel, após uma interrupção temporária.
“Foi um curso que terminou com resultados excecionais ao nível da frequência, da conclusão e da empregabilidade. Fizemos uma pausa para não saturar o mercado e entendemos que este é o momento certo para o voltar a abrir”, esclareceu Jorge Paulo Santos.
A escola prevê apresentar uma oferta de oito cursos, embora a expectativa passe pela abertura de cinco turmas, em função da procura dos candidatos.
Renovação da comunidade educativa
A EPC vive também um período de renovação interna, marcado por aposentações e pela entrada de novos profissionais.
“O ensino regular público contratou muitos professores que estavam no privado e a escola profissional também sentiu essa realidade. Ao mesmo tempo tivemos algumas aposentações, quer de docentes quer de não docentes. Estamos, por isso, num período de renovação”, referiu.
Ainda assim, o diretor executivo considera que esta transformação representa uma oportunidade para reforçar a dinâmica da instituição.
“Temos uma mescla de experiência entre quem ficou e quem chegou. Há uma transmissão de conhecimento muito importante e uma vontade coletiva de continuar a melhorar a escola”.
Integração de alunos estrangeiros continua a crescer
A escola continua igualmente a acolher estudantes oriundos de países lusófonos, através de parcerias institucionais e programas de cooperação.

“Temos um acordo específico com a Embaixada de São Tomé e Príncipe através do qual recebemos cerca de uma vintena de alunos por ano”.
“Temos cerca de 35 alunos absolutamente integrados, com prestações escolares perfeitamente equiparadas às dos alunos portugueses. Não fazem diferença nenhuma dentro da escola e isso é sinal de que a integração está a funcionar”, acrescentou.
As declarações de Jorge Paulo Santos foram prestadas durante o Open Day promovido pela escola na zona ribeirinha de Chaves, iniciativa que reuniu alunos, professores e funcionários num momento de convívio e contacto com a comunidade, servindo também para divulgar a oferta formativa da instituição para o próximo ano letivo.


