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Economia | Salto celebrou a “verdadeira festa do mundo rural”

A Semana do Barrosão regressou, entre os dias 28 e 30 de julho, à vila de Salto, em Montalegre, para uma “verdadeira festa do mundo rural” e para homenagear os produtores daquela raça autóctone que “continuam a acreditar”.

“A raça barrosã, há uns anos, estava em franco declínio, algo preocupante uma vez que é uma marca identitária do nosso território. Ver agora que está com muita pujança e que o efetivo aumentou de forma muito significativa, é motivo para nos encher de orgulho”, disse a presidente da Câmara de Montalegre, Fátima Fernandes, na abertura da oitava edição da Semana do Barrosão, em Salto.

A autarca salientou a importância económica que a criação de gado bovino da raça barrosã tem para o concelho de Montalegre, uma raça com um tempo de crescimento maior que se reflete no valor de mercado.

“A nossa obrigação é procurar por todos os meios valorizar muito mais esta carne e pô-la no mercado para que todos conheçam a iguaria que já era exportada no século XIX para a corte inglesa”, salientou Fátima Fernandes.

Durante o fim de semana foi possível apreciar, no Parque do Lazer do Torrão da Veiga, os belos exemplares desta raça endógena e outros animais, como porcos, ovelhas e cavalos, máquinas agrícolas, adquirir as várias iguarias de qualidade ímpar da terra e assistir às chegas de bois e aos grupos musicais que animaram o evento.

“É um momento de convívio, de partilha, de alegria, um momento de esquecer o trabalho, que é muito duro. E é o momento em que a câmara aproveita para agradecer a cada um destes agricultores e produtores pecuários”, sustentou.

Apoios financeiros são fundamentais para ajudar na produção

No dia da abertura do certame os produtores receberam o apoio relativo ao nascimento de crias da raça barrosã no valor de 100€, por cada animal, uma “ajuda que não cobre todo o trabalho” mas “que se junta a outros apoios” da Câmara de Montalegre, que vão desde a sanidade animal, passando por outros apoios dirigidos à produção da batata, do mel, de suínos, até à promoção de eventos com o objetivo de aumentar o número de consumidores destes produtos naturais.

“O que procuramos fazer é mostrar aos nossos jovens que é possível viver na sua terra. É preciso criar esta autoestima nos nossos jovens”, sublinhou Fátima Fernandes.

Com o objetivo de apoiar os produtores, o município criou ainda um gabinete onde podem esclarecer dúvidas e realizar candidaturas aos apoios financeiros com a ajuda de técnicos.

1.563 animais nasceram em 2022

De acordo com Nuno Sousa, presidente da Associação Nacional de Criadores de Gado de Raça Barrosã, houve um aumento de produtores comparativamente ao ano anterior (189), já o número de nascimentos quase que se manteve – 1.563 animais em 2022, mais três do que em 2021.

É sobretudo no Baixo Barroso que se verifica maior criação de gado barrosão, cerca de 1.800 cabeças num universo de 8.000 animais. No restante território a criação de animais cruzados é a mais predominante.

Aos jornalistas, Catarina Gonçalves, presidente da Junta de Freguesia de Salto, explicou que este evento “foi pensado para divulgar não só aquilo que é a produção local, a nível pecuário e de produção de fumeiro”, mas também dar a conhecer aos visitantes o trabalho árduo desenvolvido pelos agricultores que com “grande resiliência” vão ultrapassando as dificuldades.

“Eles são muito resilientes porque a atividade agrícola é muitas vezes ingrata, mas sente-se uma alegria muita genuína pelo orgulho que têm naquilo que fazem e onde todos os dias depositam as suas forças e o seu empenho que acaba por ser o sucesso desta atividade”, defendeu a responsável pela junta de freguesia.

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