Organizado pelo Teatro Experimental Flaviense (TEF), o festival acontece até 16 de maio e apresenta uma novidade na programação: a criação da categoria “Entre Nós”, onde o público terá um papel decisivo na escolha da curta vencedora.
A presidente do TEF, Alexandrina Martins, explicou que o objetivo passa por reforçar a ligação entre o festival e os flavienses.
“Em cada edição tentamos incorporar uma novidade (…) A ideia é que quem assiste à sessão de exibição dos filmes da categoria Entre Nós vai poder votar, ou seja, vai ser o próprio público que vai eleger a curta-metragem vencedora dessa categoria”, referiu.
De acordo com a responsável, o festival recebeu um elevado número de submissões, tendo sido selecionados 38 filmes para competição, distribuídos pelas várias categorias.

“Desde a primeira edição temos artistas flavienses a passar aqui em Chaves, produtores com produções próprias e queremos dar essa prioridade e esse envolvimento com a comunidade”, sublinhou.
Além das categorias “Nacional”, “Internacional” e “Entre Escolas”, criada para trabalhos produzidos em contexto académico, o Entre Curtas aposta também em talks e debates abertos ao público, procurando transformar cada sessão num espaço de partilha e reflexão.
“Não queremos apenas exibir filmes. Queremos interação entre o público e os convidados. Temos equipas dos filmes presentes nas sessões e surgem debates muito curiosos no final das exibições”, contou Alexandrina Martins.
“Terra à Vista” leva experiência pessoal ao grande ecrã
A abertura do festival ficou ainda marcada pela exibição da curta-metragem “Terra à Vista”, da realizadora flaviense Ema Lavrador, numa sessão conduzida pela jornalista Carolina Taborda Lopes.
A cineasta partilhou com o público o percurso pessoal que esteve na origem do filme, marcado pela perda parcial de visão enquanto estudava cinema.
“Eu queria sair de Chaves para fazer filmes. Fui para a escola de cinema e comecei a perder a visão num olho. Foi um diagnóstico que me obrigou a perceber como podia continuar a fazer arte com problemas visuais”, contou.
Ema Lavrador disse que o período de confinamento acabou por transformar a forma como olhava para o cinema e para o processo criativo.
“Estava presa em casa com uma câmara e comecei a gravar aquilo que via da janela. Quando percebi que tinha uma quantidade absurda de imagens, pensei que podia construir uma história com aquilo tudo”, recordou.
A realizadora salientou ainda a importância dos festivais de cinema para os jovens criadores e para os territórios do Interior.

“Os festivais são uma plataforma muito importante para as pessoas locais perceberem o que se faz lá fora e para quem vem de fora conhecer o território. Em vez de arranjarmos desculpas, temos de fazer filmes”, afirmou.
Município quer festival com dimensão transfronteiriça
Durante a sessão inaugural, o vice-presidente da Câmara de Chaves, Tiago Caldas, denotou o crescimento do festival e o papel da cultura na afirmação do território.
“Este festival é demonstração de que, com um ecossistema cultural próprio, conseguimos dar vivência aos nossos e juntar experiência de quem vem de fora. Ninguém faz nada sozinho. Só se faz tudo em conjunto”, disse.
O autarca revelou ainda a ambição de internacionalizar o projeto através de uma parceria futura com Verín.
“O objetivo é que possamos integrar Verín e criar aqui um certame internacional, numa lógica transfronteiriça, juntando portugueses e espanhóis num ativo diferenciador para o território.”
Tiago Caldas defendeu também a importância de criar produtos culturais identitários ligados ao Alto Tâmega.
“Temos terras, gastronomia, vinhos, águas e cultura. Temos tudo para ser felizes e é isso que tentamos proporcionar a quem nos visita e a quem vive aqui”, concluiu.


