A Feira do Granito e das Atividades Económicas regressou a Vila Pouca de Aguiar após cerca de dez anos de interregno. No balanço do certame, que recebeu cerca de cinco mil visitantes durante três dias, a presidente da Câmara Municipal, Ana Rita Dias, destaca a importância de relançar a marca “Capital do Granito” e de preparar o setor para novos desafios ligados à tecnologia, formação, transformação e internacionalização.
A autarca admite que a próxima edição poderá integrar áreas como a robótica e a investigação aplicada à pedra e confirma que o Arrastão da Pedra deverá passar a fazer parte da programação da Feira do Granito.
Komunica Magazine | Depois de cerca de dez anos, porquê recuperar agora a Feira do Granito?
Ana Rita Dias | A estratégia, na altura, foi não fazer a feira e apostar noutras atividades mais pequenas para mostrar o granito. Também se apostou em feiras fora, com os empresários do granito, não como expositores, mas como conhecedores dessas feiras.

Foi uma forma de trabalhar mais a questão da internacionalização. Agora entendemos que há um novo marco na tecnologia e também naquilo que é preciso trabalhar no mercado de trabalho. Por isso, fazia sentido reativar esta feira e esta nova estratégia para o setor, para a inovação da extração e da transformação do granito.
Podemos dizer que esta foi a primeira Feira do Granito neste novo formato?
Sim, podemos dizer que foi a primeira feira nestes novos moldes que pretendemos dar.
Que balanço faz destes três dias?
Parece-me que temos aqui um balanço positivo. Tivemos cerca de cinco mil visitantes durante os três dias de feira. Tivemos também uma parte muito importante de formação e capacitação no primeiro dia, com os empresários do granito e com outras entidades ligadas ao setor, nomeadamente a CCDR, a DGEG e o ENEG.
Tivemos ainda a presença dos secretários de Estado, que vieram dar a certeza de que o país está a trabalhar para a melhoria deste setor e para encontrar respostas. Fazendo uma análise deste interregno de tempo e desta reativação, parece-me que temos aqui uma feira para vir a melhorar ano a ano e para ter um público cada vez maior.
O granito de Vila Pouca de Aguiar continua a ser uma marca com projeção internacional?
Sim. Nós temos monumentos, praças, obras e até igrejas feitas com o nosso granito. O nosso granito está espalhado pelo mundo todo.
É muito importante mostrar que o nosso granito é, de facto, um granito de excelência e um produto procurado a nível internacional. É isto que queremos valorizar: mostrar que o granito pode embelezar cada terra e levar um bocadinho de nós para fora.

Como se pode dar mais identidade e valor ao granito do concelho?
É necessário mostrar que não é só a extração que pode gerar riqueza. Se queremos empresas inovadoras, mão de obra inovadora e especialização, temos que investir nisso.
A investigação, a tecnologia e a qualificação da mão de obra para a transformação do granito são extremamente importantes. Em Vila Pouca de Aguiar, vamos iniciar este ano um centro tecnológico especializado, onde também se vai trabalhar a robótica, a transformação e as novas tecnologias.
Temos de criar uma rede forte para dar este impulso ao granito e dar esperança aos empresários de que conseguem criar mais dinâmica no setor da extração e da transformação.
A próxima edição já começou a ser pensada?
Verdade. Depois de uma feira, de qualquer evento ou investimento, temos de fazer uma análise daquilo que correu bem, do que correu menos bem e daquilo que precisamos realmente de melhorar.
Damos sempre um inquérito de satisfação aos expositores para que possam partilhar a sua opinião. Dentro de um curto espaço de tempo, terei uma reunião com empresários e alguns expositores para perceber como é que a feira pode melhorar e para onde a querem direcionar.
A próxima edição poderá ter uma componente mais tecnológica?
Sim. Se calhar, no próximo ano faz sentido termos aqui uma parte robótica ou uma parte de investigação associada, muito ligada à pedra. A própria UTAD pode ser um parceiro de excelência nesta feira.
Abrimos agora um caminho que temos que trilhar para conseguir dar uma visão mais inovadora à feira. Tivemos que dar o primeiro passo. O primeiro passo está dado.
Que importância teve esta feira para afirmar a marca Capital do Granito?
Conseguimos marcar a posição de que temos de continuar a trabalhar este setor e esta marca Capital do Granito. É aqui que vamos continuar a investir, nas empresas, no setor e nos nossos empresários, que também estiveram presentes e marcaram uma forte presença na feira.
Também é importante mostrar que estão ativos no concelho, que contribuem para a economia local e que se pode criar uma rede entre eles dentro do próprio concelho.
O Arrastão da Pedra deverá regressar à Feira do Granito?
O Arrastão da Pedra este ano ainda se mantém nas Festas da Vila, em agosto, porque os emigrantes já estavam habituados a vir fazer o nosso Arrastão.

Mas vamos colocá-lo, sem dúvida nenhuma, na Feira do Granito, que é onde faz sentido. Para o próximo ano, certamente esta programação fará parte do programa da Feira do Granito.
Houve críticas à coincidência de datas entre a Feira do Granito e o Artimanhas. Como responde?
De uma forma natural. Quando há diversidade de oferta, as pessoas procuram aquilo de que gostam mais e isso é bom.
Ter duas atividades no mesmo período pode ser uma oferta ainda maior para atrair mais gente ao território. Quem vem para o festival pode visitar a feira e quem vem à feira pode ir ao festival. Não vejo isso como uma entropia, mas como uma concertação para que as coisas possam acontecer e tragam mais gente.
Quando se quer, há público para toda a gente. Basta querer para se poder fazer. A boa vontade e a abertura para encontrar soluções, e não divergências, levam a que se consigam resultados.
Que eventos se seguem em Vila Pouca de Aguiar?
Depois da Feira do Granito, vamos começar a preparar as Festas da Vila, que serão no início de agosto, e também a Feira do Mel, em Pedras Salgadas, que acontece daqui a cerca de um mês. Será também um grande evento que queremos marcar.
O verão continua a ter um peso especial no concelho?
Sim. Nos meses de verão, a nossa população triplica com a chegada dos emigrantes que vêm visitar as suas famílias e a nossa terra. Gostamos muito de os ter cá.
Estamos sempre à espera do verão para termos uma vila mais em festa, mais alegre, sempre em celebração. Temos de estar preparados para os receber com infraestruturas, respostas e também com festas, porque as festas fazem parte da cultura popular e desta união familiar.


