Ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, admite a aprovação do projeto de Aproveitamento Hidroagrícola de Maceiras, submetido pela autarquia.
A construção de uma grande barragem no concelho de Valpaços representa um investimento de mais de 21 milhões de euros, o maior de sempre alguma vez realizado, e faz parte do Programa Nacional de Regadios.
O desenvolvimento deste projeto, estudado desde 2018 pela autarquia, surge da necessidade de colocar em prática uma agricultura sustentável do ponto de vista técnico e económico, e faz parte dos investimentos estratégicos pensados a longo prazo para o concelho.
“A Câmara de Valpaços, como entidade promotora do desenvolvimento da região, dá seguimento, assim, ao projeto de implementação do regadio que tem dinamizado, quer através do envolvimento dos agricultores, quer através da realização de estudos e projetos que permitam criar condições para a realização de investimentos públicos no setor”, refere a autarquia.
Foi pensado também no despovoamento e desertificação do interior do país, que aliado às alterações climáticas, se tem traduzido numa constante extensificação dos sistemas agrícolas, pelo que a implementação e dinamização do regadio é vista como uma solução para inverter o ciclo e promover e projetar o setor primário do concelho.
O Aproveitamento Hidroagrícola de Maceiras foi definido com uma área beneficiada de 1.125 hectares, distribuídos por cinco freguesias: Santa Maria de Emeres, Água Revés e Crasto, Carrazedo de Montenegro e Curros, Veiga de Lila e Canaveses e é constituído por uma barragem, uma estação de filtração e rede de rega para fins agrícolas.
Na barragem, a construir na ribeira de Frades, localizada na freguesia de Padrela e Tazém, a bacia hidrográfica tem uma área de 12,9 km2 e aterro zonado com uma altura máxima de 42 m acima da fundação. A capacidade máxima de armazenamento será de 2,8 milhões de metros cúbicos, permitindo a rega em pressão em todo o perímetro, sem recurso a bombagem, uma vantagem em relação à maioria dos perímetros de rega do país, uma vez que não existirão custos de bombagem, fator muito penalizador da maioria dos regadios, tendo em conta o preço da energia e os custos de manutenção.
Estima-se que serão beneficiadas cerca de 400 explorações agrícolas, num total de 1.386 prédios, com maior predominância do olival, amendoal e vinha, bem como culturas temporárias, culturas hortícolas, nomeadamente a batata. Prevê-se, também, que o volume de água consumido anualmente ronde os 2.136.600 m3.
No Aproveitamento Hidroagrícola de Maceiras, o desnível entre a barragem e a zona mais baixa do perímetro de rega (à cota 330 m) permite, no futuro, equacionar uma solução de aproveitamento de energia e uso múltiplo, nomeadamente, incentivar a práticas turísticas de recreio e lazer.
A importância desta barragem aumenta, no entender do município valpacense, se “atendermos ao facto do concelho não possuir um ponto de água de grande capacidade, que permita a aeronaves abastecerem em caso de incêndio”.
A sua construção será também fundamental para o armazenamento e distribuição controlada de água, garantindo o abastecimento, principalmente em períodos de maior escassez de água, em quantidade e qualidade, favorecendo o valor económico das produções futuras, aumentando a produtividade das culturas, promovendo a segurança alimentar e impulsionando o desenvolvimento rural.


