A Associação Empresarial do Alto Tâmega (ACISAT) apresentou na semana passada, na Casa do Vinho, em Valpaços, o projeto Acelerar o Norte, iniciativa que pretende apoiar as empresas da região na transição para a digitalização dos seus negócios.
Trata-se de um consórcio entre a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), a Associação Empresarial de Portugal (AEP), a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal e a Associação da Economia Digital que, em conjunto, candidataram-se ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) com o intuito de modernizar e digitalizar o tecido empresarial.
Nuno Camilo, diretor do projeto a nível da região Norte do país, explicou que se torna essencial para as empresas abrirem novos horizontes.
“Ao longo dos anos têm existido muitos projetos para a modernização, mas, na verdade, este é o verdadeiro projeto para a modernização, porque introduz a digitalização como algo fundamental. E nós vemos que as empresas, muitas delas, já têm algumas áreas que já estão digitais, no entanto, precisam de alargar esses horizontes”, referiu o responsável.
O projeto tem percorrido toda a região Norte, tendo já sido apresentado em Chaves, contando com 16 aceleradoras, distribuídas pelas NUTS III do território, e quase 40 pessoas a trabalhar a tempo inteiro no projeto.
Programa inclui acompanhamento “desde o ponto zero até ao ponto final”
Este roadshow visa essencialmente sensibilizar os empresários para a temática: “Queremos que as empresas não estejam limitadas ao seu território, que possam pensar para fora do seu território e, quando eu digo pensar, que possam vender para lá do seu território. Portanto, este é o projeto que nós consideramos certo, para as empresas poderem crescer, mas, acima de tudo, para as empresas poderem aumentar as suas vendas e aumentarem aquilo que é a sua capacidade de faturação”, disse Nuno Camilo.
Questionado sobre o funcionamento do programa Acelerar o Norte, o diretor do projeto esclarece que primeiramente é feito “um diagnóstico de transição digital”, onde é analisado cada caso em particular. Depois disso, os empresários são informados sobre os passos a seguir.

“Conseguimos encaminhar desde o ponto zero até ao ponto final do evento, que é a digitalização”, garante.
O projeto inclui ainda a atribuição de um voucher que pode ir até aos 2.000 euros.
“O voucher tem vários montantes, mas o objetivo final será sempre os 2.000 euros. Isso é proporcional àquilo que é a maturidade da digitalização que as empresas têm. No entanto, consideramos que há empresas que podem ter uma elevada maturidade digital, mas, noutra área não têm essa maturidade e querem desenvolver novas vertentes”, revela o responsável, e dá exemplos: “Há empresas que podem ter uma comunicação no que diz respeito ao online, nas redes sociais, mas não ter um CRM (Gestão de Relacionamento com o Cliente). Podemos ter empresas que, neste momento, podem ter um CRM, mas não estão a potenciar aquilo que é a comunicação de um email marketing. Portanto, há um conjunto de oportunidades, em que as empresas podem ir acumulando serviços para crescer e para responder àquilo que são os desafios da globalização e da digitalização”.

Nuno Camilo lembra ainda as ferramentas de Inteligência Artificial cada vez mais usadas no dia-a-dia. “Nos próximos tempos as empresas vão ter esse desafio, e nomeadamente as micro, pequenas e médias empresas não vão ter a capacidade para desenvolver as suas próprias ferramentas, vão ter que recorrer a terceiros e têm primeiro que digitalizar para ganhar, para depois poderem conseguir digitalizar para a Inteligência Artificial”.
O projeto prevê intervencionar cerca de 9 mil empresas até setembro do próximo ano, tendo uma dotação do PRR de 19 milhões de euros. No Alto Tâmega, o gestor territorial, Francisco Salgueirinho Moreira, adianta que a expectativa é que pelo menos 100 empresas sejam intervencionadas até ao final deste ano.
Capacitação dos empresários ao nível das novas ferramentas digitais
Além da análise de maturidade digital das empresas e dos empresários, é definido um plano de transição digital para essas empresas e são ainda ministradas ações de capacitação, 180 no total distribuídas pela zona Norte do país, nove destinadas ao Alto Tâmega e Barroso.
“As ações destinam-se aos operadores económicos, para que estes tenham capacidade de autonomamente dominar determinadas ferramentas do digital, ou pelo menos serem capazes de monitorizar os prestadores de serviços que contratam para os acompanhar, e para terem também uma maior perceção das valias destas ferramentas”, declarou Francisco Salgueirinho Moreira.
Este responsável conta ainda que o projeto tem tido muita adesão por parte dos empresários porque conseguem perceber que este é “um caminho que complementa aquilo que fazem e que tão bem têm feito ao longo destes anos. A loja física deve ser valorizada e o digital deve ser um caminho para alcançar mais clientes […] têm aqui mais uma ferramenta para continuarem o percurso que já têm feito, para serem mais resilientes, mais competitivos, e para competirem num mercado muito mais alargado”.

Presente na sessão em Valpaços, o vice-presidente da ACISAT afirmou que “é uma oportunidade absolutamente histórica”.
“Para quem está no Interior, é uma oportunidade única porque permite eliminar, definitivamente, uma série de barreiras de distância, às vezes até de algum preconceito e de alguma limitação mental que as pessoas podem ter por estar em determinados sítios”, sublinhou David Areias.
Na mesma linha, o vice-presidente da Câmara de Valpaços considera que é da máxima importância a digitalização das empresas e apontou a mudança de paradigma na forma de comunicar desde o aparecimento da covid-19.
“Temos o concelho praticamente todo servido de fibra ótica e termos este tipo de ferramentas à disposição com esta velocidade de comunicação que temos permite chegar ao público alvo” pretendido de forma ainda mais eficaz, destacou Jorge Pires.
A ideia “é que continuem a trabalhar cá e que estes programas sejam também um contributo para continuar a fixar pessoas no território”, concluiu.
O projeto Acelerar o Norte é financiado pela União Europeia, no âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) e do NextGenerationEu, na Componente 16 – Empresas 4.0, e aprovado na sequência da publicação do Aviso N.º 04/C16-102/2022 – Aceleradoras de Comércio Digital.








