Procurar

Relatório da ERSAR revela perdas de água elevadas e reciclagem longe das metas nacionais

A Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos apresentou o Volume 1 do Relatório Anual dos Serviços de Águas e Resíduos em Portugal 2025 (RASARP 2025), que revela avanços na adesão aos serviços e na fiabilidade da informação, mas aponta desafios estruturais ao nível da eficiência hídrica, circularidade e sustentabilidade económica.

De acordo com o relatório, que reporta dados a 2024, o setor mantém-se estruturalmente estável, embora muito fragmentado, integrando 352 entidades gestoras. A maioria opera em modelo de gestão direta (72%) e mais de 35% serve menos de 10 mil alojamentos.

Ao nível da qualidade de serviço, registaram-se evoluções positivas na acessibilidade física: 97% no abastecimento de água (avaliação “boa”) e 90% no saneamento (avaliação “mediana”). Pela primeira vez, a adesão ao serviço atingiu 90% tanto no abastecimento de água como no saneamento, cumprindo o objetivo definido para 2013 no PEAASAR II.

Apesar destes progressos, a reabilitação de infraestruturas continua aquém do necessário. A taxa anual de reabilitação de condutas situa-se nos 0,5% (quando deveria ser 1,5%) e a de coletores nos 0,1%, muito abaixo do recomendado.

Apenas 2% dos coletores com mais de 10 anos foram inspecionados nos últimos cinco anos.

Na gestão de resíduos urbanos, a recolha seletiva mantém-se insuficiente. A cobertura da recolha seletiva é de 61% e o destino final em aterro representa ainda 55% dos resíduos, longe das metas comunitárias. A taxa de reciclagem fixou-se nos 32%, distante do objetivo de 55% previsto no PERSU 2030.

O relatório destaca ainda que a implementação de tarifários PAYT (pay as you throw) ou SAYT (save as you throw) continua reduzida, estando disponível em apenas 21 entidades gestoras, apesar de ser obrigatória a nível nacional até 2030.

No plano da eficiência hídrica, os dados revelam que, em 2024, se perderam cerca de 187,3 milhões de metros cúbicos de água — o equivalente a 8,7 piscinas olímpicas por hora. Segundo a presidente da ERSAR, Vera Eiró, a redução de 80% das perdas reais e das afluências indevidas, aliada à reutilização de 10% da água residual tratada, poderia representar uma poupança potencial de 158 milhões de euros por ano.

O aproveitamento de água para reutilização mantém-se residual (1,1% em 2024) e, nos resíduos urbanos, a recolha seletiva de multimaterial e de biorresíduos representa apenas 13% e 5% do total, respetivamente.

O RASARP 2025 conclui que, apesar dos progressos alcançados, o setor enfrenta ainda um caminho exigente para garantir maior resiliência, sustentabilidade financeira e cumprimento das metas ambientais definidas para a próxima década.

Discover more from KomunicaMagazine

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading