A Santa Casa da Misericórdia de Chaves realizou, quinta-feira, mais uma edição do projeto de Animação Sociocultural “Envelhecer com Vida”. Cerca de duas centenas de utentes de instituições sociais de Chaves, de apoio à terceira idade e à deficiência, reuniram-se em torno de um programa cultural “de variedades”, onde os holofotes incidiram sob os mais velhos com o objetivo de promover o envelhecimento ativo.

A apresentação musical da instituição organizadora, intitulada “Misericórdia é cuidar” marcou o arranque do programa cultural através da qual a equipa de Animação Sociocultural, promotora do evento, homenageou as diversas respostas sociais da instituição “reconhecendo o trabalho incansável de todos os profissionais, o carinho dedicado aos idosos e crianças que dela fazem parte e a dedicação da sua direção”.
Desde a infância à terceira idade, as várias gerações de utentes da Misericórdia de Chaves subiram ao palco do auditório da Igreja Sagrada Família juntamente com colaboradores e dirigentes para “uma verdadeira celebração de amor, do serviço e do cuidado que são marcas da instituição”, segundo os animadores socioculturais.
O projeto “Envelhecer com Vida” com uma forte dinâmica de espetáculo reuniu cerca de duas centenas de utentes de 14 instituições de solidariedade social de Chaves que neste dia saíram das suas respetivas instituições onde residem ou permanecem em regime de Centro de Dia para, juntos, viverem uma tarde de convívio e animação, onde os próprios são protagonistas.
“A arte não tem idade”
Reafirmar as boas práticas que se desenvolvem na Santa Casa da Misericórdia de Chaves e que há 12 anos, através deste projeto multidisciplinar provam que o envelhecimento pode ser ativo e saudável, tendo em conta o importante papel das instituições sociais é o objetivo dos organizadores.

Para os animadores socioculturais o projeto é significado de “criatividade e emoção. Um encontro que acolhe memórias e a riqueza da experiência de vida dos mais velhos, tornando-se uma verdadeira demonstração de que a arte não tem idade e que a imaginação continua viva em todas as fases da vida”.
António Costa foi a prova de que é possível ir contando anos de vida sem perder o entusiasmo. Com 100 anos e muito perto de chegar aos 101, mostrou-se bem-disposto e multifacetado depois da sua presença em palco, a quem tocou declamar um poema.
“Eu gosto muito de viver e enquanto estiver assim já é muito bom”, referiu.
“Olhe que ainda risco e desenho todos os dias ao lado destas senhoras”, acrescentou de imediato, referindo-se às restantes utentes da Flavicórdia, instituição onde reside há sete anos, revelando ainda ter outro gosto, o de cantar.
Um pouco envergonhada Encarnação Santos subiu pela primeira vez ao palco do “Envelhecer com Vida” vestida de boneca. A instituição onde reside há pouco tempo recriou um número dando vida ao clássico brinquedo da boneca de corda. No final, assegurou ter-se divertido muito, sobretudo “quando a animadora me deu à corda”, contou, rindo, a utente da Casa Santa Marta, de 84 anos.
Perto do final do evento, Maria Helena Nascimento aplaude a atuação surpresa do Grupo Anjos e Demónios que se juntou à iniciativa da Santa Casa da Misericórdia de Chaves, arrancando um pezinho de dança aos participantes. Tem 83 anos e reside no Lar Nossa Senhora da Misericórdia, em Casas dos Montes, e tem por hábito participar todos os anos, porque afirmou “é muito bom para nos distrairmos. É sempre uma alegria muito grande e só tenho pena de não termos este espetáculo mais dias”.
Por sua vez, Aires Alves veio do Lar Nossa Senhora da Conceição, Vidago, e aos 78 anos lembrou “com saudade” algumas das tradições da sua terra, Oura.
“Gostei muito de tudo o que vi e fez-me por momentos recordar a minha juventude e a minha esposa que partilhou uma vida comigo,” referiu o utente da Misericórdia de Chaves.
A “ponte” entre instituições pretende valorizar a sabedoria dos seniores
Dança, canto, poesia, teatro, ginástica rítmica adaptada, encenação e representações musicais recuperando tradições populares foram algumas das atividades apresentadas que refletem, de acordo com o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Chaves, Jorge Pinto de Almeida, o dinamismo dos seniores.

“Uma vontade de viver com dignidade, afeto e com vida”, porque apesar da longevidade continuam a ser fonte de inspiração, “a vossa energia ensina-nos que envelhecer é continuar a viver com intensidade, com arte e com amor”.
“A ponte” que se estabelece com todas as instituições sociais do concelho é para Américo Peres testemunho de um trabalho “fundamental e essencial que os animadores desenvolvem nas estruturas residenciais, porque todos queremos que os idosos, cujas vidas foram tantas vezes pesadas para eles, se sintam mais felizes nesta fase das suas vidas”. A Misericórdia de Chaves quer trazer “uma mensagem de alegria, de entusiasmo e ao mesmo tempo de valorização da sabedoria desta gente mais velha”, referiu o mesário responsável pelo departamento de Animação Sociocultural.
A XII edição do “Envelhecer com Vida” contou com o apoio do pároco de Santa Cruz Trindade, padre Guerra Banha, que mais uma vez cedeu o espaço para a sua realização, bem como da junta de freguesia de Vilar de Nantes que cedeu o transporte dos utentes do Lar de Santa Isabel.
Para além dos elementos da Mesa Administrativa da Misericórdia de Chaves, a atividade contou com a presença do vice-presidente do Município de Chaves, Francisco Melo, e do presidente da junta de freguesia de Santa Cruz Trindade, José Carreira.



