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Opinião | Reflexões da Nélita

Por Manuela Raínho // 

Deste mês de Maio, cumpre destacar dois eventos culturais interessantes: O Festival de Cinema EntreCurtas, organizado pelo T.E.F. com direcção de Pedro Freitas e Rúben Sevivas, que aconteceu entre 15 e 18 de Maio; a Exposição de Pintura Corpus de Mário Lino, na Galeria do S. Francisco, que decorre até ao fim deste mês. 

Dado que o primeiro evento já aconteceu, só posso dar ao leitor o balanço do mesmo. Assim estiveram patentes ao público, cerca de trinta filmes – curtas-metragens – nacionais e internacionais subordinados a temas como, Território e Interioridade (s).  

A sessão de Abertura teve Carolina Taborda Lopes a cumprir a abertura protocolar e a exibição do filme de Rúben Sevivas, Adeus, uma real «pedrada no charco» da nossa cidade. 

Para além da exibição de curtas-metragens participantes das competições EntrEscolas (onze filmes) e a níveis Nacional (dez filmes) e Internacional (oito filmes) houve debates (talks) e outras actividades. 

O primeiro debate teve como tema Educação, Cinema e Território. Deste, ressalto o facto de estarem presentes alguns alunos da Escola Júlio Martins que puderam assistir às intervenções quer dos convidados quer dos moderadores; os mesmos estabeleceram pontes entre conceitos como o que acontecia no passado, na medida em que o preço da interioridade do território ser um anátema e, hoje, pelo contrário, ser o regresso a uma certa qualidade de vida inexistente nas grandes cidades. Falou-se ainda na busca da realização pessoal em detrimento do sucesso económico. Uma das questões que considerei mais marcantes, foi a de um jovem que questionou a mesa sobre como convencer os mais velhos de que nem só de sucesso vivemos. Em suma, uma mesa muito gratificante.  

O segundo debate, abordou a temática da Interioridade não só na vertente de território, mas essencialmente na vertente da busca da nossa realização interior. Houve ainda um debate sobre Cultura a que não assisti, logo não posso emitir qualquer tipo de opinião e na tarde de sábado, o último sobre Co-produção onde se debateram aspectos como documentário e ficção bem como temas ligados à produção e realização cinematográficas. Antes da conversa forma exibidos dois filmes: Terra Amarela e Pele de Luz. Ambos os filmes versavam sobre temas ligados aos direitos humanos: a violência sobre minorias e a segregação de minorias. 

Como a sessão de Encerramento se atrasou bastante, não pude estar presente, mas do que sei, houve a actuação de Francisca Santos do Estúdio de Dança de Chaves FORMA e foram divulgados os prémios relativos às três competições a concurso no Festival.  

Palmarés EntreCurtas: prémios – Curta das Curtas: SUITCASE realizadores Saman Hosseinpuor e Ako  Zankarimi, País: Irão; – Melhor Curta Internacional: ANOTHER NEST realizador: Mark Beleznai, País: Hungria; 

– Melhor Curta Nacional: PALMA, realizadora: Mónica Santos; Menção Especial: UM CAROÇO DE ABACATE, realizador: Ary Zara. 

Já relativamente à Exposição CORPUS de Mário Lino, considero-a um marco na obra do pintor na medida em que estes 22 trabalhos abordam, para além da ideia do corpo físico, conceitos, estados de alma como liberdade, sedução, vergonha, desejo, tabu ou gratidão. É uma Exposição onde através da figura humana chegamos aos vários conceitos; é uma gratificante viagem ao nossa Eu, desencadeada pela catadupa de sentimentos e mensagens que cada tela desperta em quem a vê. Por isso, recomendo que vá até ao Forte de S. Francisco e aprecie, envolva-se e deixe-se cativar por essa experiência única e enriquecedora que é esta fase tão profunda e intimista do artista, sobretudo no que ela suscita de enriquecimento interior a cada um que contempla as telas, mas sobretudo, como homenagem ao Homem que é Mário Lino enquanto reflexo de humildade, ao partilhar a sua visão da Condição Humana nas suas diversas representações. Provavelmente poderá não se identificar com algumas dessas representações, mas, dificilmente, qualquer uma delas lhe será indiferente. 

Ainda a tempo, quinta-feira, dia 23 de Maio, às 18h30, no Auditório do Centro Cultural de Chaves, vai ser apresentado o livro “O Tosão de Ouro” de João Madureira. Não Falte!

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