Por António Augusto //
Há um novo enigma a inquietar os flavienses: as cuecas da avó estão a desaparecer. E não falamos de um ou dois pares esquecidos no estendal. São dezenas. Cuecas floridas, cuecas de algodão, algumas com rendas duvidosas, outras com anos de serviço honesto. Todas sumiram sem deixar rasto. O que começou como um simples mistério doméstico transformou-se numa epidemia sem direito a quarentena.
A primeira teoria, e talvez a mais popular, aponta para um simples “ladrão de cuecas”. Segundo relatos, um indivíduo não identificado vagueia pelas noites flavienses, atraído por roupa interior sénior. Há quem diga que tem uma queda por cuecas de algodão, especialmente com elásticos frouxos. Uma vizinha jura ter visto uma sombra a fugir com algo que parecia um par de cuecas cor-de-rosa. A polícia continua sem pistas e sem vontade de elaborar um relatório sobre o assunto.
Outros acreditam que o desaparecimento é obra de forças sobrenaturais. Alguns falam do espírito vingativo de uma costureira que jurou roubar toda a roupa interior que visse estendida ao relento. Reza a lenda que as cuecas desaparecem misteriosamente durante a noite, levadas por correntes de ar inexplicáveis e um leve aroma a lavanda.
Há também uma teoria científica. Um grupo de jovens do liceu, entusiastas da física quântica, afirma que as cuecas estão a atravessar portais dimensionais. Segundo eles, o algodão velho tem propriedades únicas que o tornam particularmente instável no tecido do espaço-tempo. As cuecas da avó estariam a viajar entre universos paralelos.
Entretanto, em Chaves, o pânico instala-se. As avós dormem com os gavetões trancados, os netos montam câmaras de vigilância junto aos estendais e há quem tenha começado a colocar chips nas cuecas.
Portanto, se vires algo estranho, não penses duas vezes! Tira as cuecas, esconde-as bem escondidas e alerta as autoridades. Juntos, podemos travar esta onda misteriosa. Junta-te ao movimento dos vigilantes da roupa interior, porque em tempos de incerteza, proteger as cuecas da avó é um dever cívico!


