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Opinião | E se não for a criança que precisa de mudar… mas sim a Escola?

Por Jorge Fonseca | Líder em Forest School Nível 3 

Quietos, sentados e calados: será este o modelo certo para aprender?

“Não pára quieto.”
“Distrai-se com facilidade.”
“Não se concentra.”

Estas expressões fazem parte do quotidiano educativo. Mas levantam uma questão essencial: estamos a olhar para a criança… ou apenas para o comportamento esperado?

O modelo educativo tradicional valoriza o silêncio, a imobilidade e a atenção prolongada. No entanto, muitas crianças — especialmente no pré-escolar e início do 1.º ciclo — aprendem melhor através do movimento, da exploração e da experiência direta.

Nem todas as crianças aprendem sentadas.
E isso não é uma limitação — é uma característica do desenvolvimento.

Aprender através do corpo, do contacto com materiais e da interação com o ambiente permite uma compreensão mais profunda e significativa.

Quando estas necessidades não são consideradas, comportamentos naturais podem ser interpretados como problemáticos.

Mas e se ajustássemos o ambiente à criança?
Ambientes mais flexíveis promovem inclusão e permitem que cada criança encontre a sua forma de aprender.

Observação em contexto Forest School

Uma criança de 5 anos, frequentemente descrita em sala como “inquieta” e com dificuldade de concentração, participa numa sessão ao ar livre.
Durante mais de 30 minutos, permanece envolvida na construção de um percurso com troncos, ajustando distâncias, testando equilíbrio e convidando outros colegas a experimentar.
Demonstra foco, planeamento e persistência — competências que raramente eram observadas em contexto de sala.
O comportamento não mudou; mudou o contexto.

Talvez seja tempo de mudar a pergunta:
Em vez de “O que há de errado com esta criança?”, deveríamos perguntar: “O que é que este contexto pode melhorar?”

Aprender não é um formato único.
E educar deve ser um processo de adaptação consciente — não de imposição.

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