António Matos Almeida regressou ao Centro Hípico de Pedras Salgadas com o estatuto de bicampeão do Grande Prémio e a ambição de voltar a discutir a vitória. O cavaleiro iniciou ontem, sexta-feira, o Concurso de Saltos Internacional com duas vitórias, elogiou as condições da pista e assumiu boas expectativas para domingo, embora rejeite qualquer favoritismo numa competição onde, como sublinha, todos partem em igualdade.
Depois de seis percursos realizados no primeiro dia, o balanço era positivo. A pista voltou a corresponder ao nível que os cavaleiros esperam encontrar em Pedras Salgadas.

“A pista está ótima. Tem-nos habituado sempre a boas condições e, na verdade, está melhor do que a pista de aquecimento”, afirmou António Matos Almeida.
O cavaleiro não esconde que vencer é sempre o objetivo, mas lembra que o caminho até ao Grande Prémio de domingo não depende de uma classificação acumulada. Nesta fase, o essencial é garantir os mínimos necessários para poder disputar a prova rainha da competição.
“Os cavalos dão-me boas esperanças”
As prestações do primeiro dia deixaram António Matos Almeida confiante. Os cavalos responderam bem em pista e deram bons sinais para o momento decisivo do fim de semana.
Ainda assim, o bicampeão recusa triunfalismos. No hipismo, defende, o resultado depende de uma ligação muito fina entre cavalo e cavaleiro, onde a preparação conta, mas não elimina a imprevisibilidade.
“São animais. Eles e nós. Uns racionais, outros irracionais. O erro pode acontecer da minha parte, numa má abordagem a um salto, e cair uma vara que me afaste de um desempate. Da mesma forma, eles podem não acordar tão bem dispostos e não terem uma performance à altura”, afirmou.
Para António Matos Almeida, essa incerteza faz parte da modalidade e explica por que motivo nem sempre os melhores conjuntos vencem.
“Estão preparados para vencer, mas o Ronaldo também não marca sempre. Nos cavalos é exatamente a mesma coisa. Nem sempre conseguimos”, comparou.
O desafio de chegar ao pico no dia certo
Mais do que vencer no primeiro dia, o desafio passa por atingir o melhor nível no momento certo. António Matos Almeida considera que essa gestão é uma das maiores dificuldades no hipismo de competição.

“Uma das coisas mais difíceis é conseguir chegar ao pico da performance no dia do Grande Prémio. Às vezes conseguimos chegar lá no primeiro ou no segundo dia e depois não conseguimos no Grande Prémio. Outras vezes somos mais felizes e conseguimos chegar no momento certo”, explicou.
As vitórias no arranque da competição reforçam a confiança, mas não garantem nada para domingo. O cavaleiro admite que o Grande Prémio deverá ser disputado e que há vários conjuntos em condições de lutar pela vitória.
“Temos aqui um leque de cavaleiros em que qualquer um pode vencer. Posso estar a ser injusto com alguém, por isso não vou dar nomes, mas há pelo menos quatro cavaleiros que estão em condições de ganhar o Grande Prémio”, referiu.
Atento à concorrência, António Matos Almeida reconhece a qualidade das montadas adversárias, mas prefere centrar-se no seu próprio desempenho.
“Pelo que vi das montadas deles hoje, estão muito bem. Isso faz com que tenha de estar atento. Mas, para já, o que quero é fazer bem a minha parte e, depois, no desempate, que vença o melhor”, afirmou.
Pedras Salgadas tem “um público fantástico”
Para além da vertente competitiva, o cavaleiro destaca o ambiente vivido no Centro Hípico de Pedras Salgadas. A presença de público nas bancadas é, para António Matos Almeida, uma das marcas diferenciadoras desta prova.
“O público agrada bastante. A bancada é fantástica. Não há ninguém que goste de saltar que não goste de ter público a ver e a aplaudir”, disse.
O cavaleiro considera que Pedras Salgadas foge à realidade de muitas provas de hipismo, onde a assistência é, por vezes, limitada aos familiares, equipas e estruturas ligadas aos cavaleiros.
“A modalidade é um pouco fechada. Temos um bocadinho esse mau hábito de não divulgar tanto as provas e, muitas vezes, acabamos por ter como espectadores os próprios staffs e familiares dos cavaleiros”, reconheceu.
Em Pedras Salgadas, sublinha, o cenário é diferente. O público acompanha, conhece a modalidade e cria um ambiente especial para quem está em pista.
“Aqui o público já está muito habituado. Não vejo muitos sítios com tanto público como aqui. Diria Pedras Salgadas, Viseu, Lisboa ou Porto, eventualmente. Mas não há muitos locais assim”, salientou.
Para António Matos Almeida, essa envolvência torna a prova mais atrativa para os cavaleiros.

“É ótimo saltar aqui”, resumiu.
Seis cavalos e gestão condicionada pelo calor
O cavaleiro trouxe seis cavalos para Pedras Salgadas. Quatro estão inscritos na competição internacional, limite permitido neste tipo de provas, e dois são cavalos jovens, integrados nas provas nacionais, ajustadas à idade e ao momento de evolução.
A gestão dos animais será determinante ao longo do fim de semana, sobretudo devido às temperaturas elevadas. Ainda assim, António Matos Almeida garante que o calor também faz parte da preparação.
“Está um bocadinho quente demais, mas isso faz parte. Os cavalos também estão habituados”, afirmou.
O cavaleiro explicou que prepara os animais para competirem em diferentes condições, incluindo nos períodos de maior calor.
“Tenho a preocupação de trabalhar os meus cavalos no pico do calor, em casa, para que estejam habituados. Há quem prefira trabalhá-los pela fresca. Eu faço mesmo propositadamente trabalho com calor e também com frio”, disse.
Ainda assim, reconhece que as condições ideais seriam outras: “Se estivesse nublado e com 20 graus, seria o indicado”, admitiu.
Depois de um arranque positivo, António Matos Almeida mantém os olhos postos no Grande Prémio de domingo, prova que já venceu em Pedras Salgadas e que volta a assumir como grande objetivo. Até lá, o desafio será gerir cavalos, forma e expectativas para chegar ao momento decisivo no melhor nível possível. Depois, como diz o bicampeão, “que vença o melhor”.



