O segundo dia da Feira da Castanha Judia, em Carrazedo de Montenegro, no concelho de Valpaços, voltou a confirmar o papel central deste certame na economia, cultura e identidade das terras de Montenegro. Entre agricultores, artesãos e produtores locais de fumeiro, a castanha judia continua a ser o ponto de encontro e o motivo de celebração, ainda que não faltem desafios no setor.

Filipe Pereira, da Associação Regional dos Agricultores das Terras de Montenegro (ARATM), avalia positivamente a produção deste ano, destacando a qualidade do fruto, embora reconheça pequenas alterações causadas pela meteorologia.
“Este ano a castanha é muito boa, não tem nenhum defeito, nem problema sanitário. Há um ligeiro decréscimo de calibre em relação a outros anos, devido ao verão muito seco. Mas, de qualquer forma, os produtores têm razões para estar satisfeitos, porque a produção é abundante e o preço compensa o trabalho ao longo do ano.”
O valor pago ao produtor varia entre 2,60€ e 3€ por quilo, mas Filipe Pereira considera que o preço não acompanha o real valor do produto.
“É pouco. A castanha é um fruto cada vez mais raro, com produções irregulares. A cultura do castanheiro é muito propícia a pragas e doenças, agravadas pelas alterações climáticas, pela falta de frio no inverno e pela escassez de precipitação”, sublinha.
Embora reconheça que as medidas anunciadas pelo Governo no dia da abertura oficial da feira poderão ajudar o setor, considera-as ainda insuficientes.

“Irão ajudar, claro, mas são muito insuficientes. Em relação à vespa das galhas, houve apoios há sete ou oito anos para largadas de controlo biológico. Desde então, nunca mais. E os focos continuam”, lembra o dirigente da ARATM.
Fumeiro e castanha | Ligação que se fortalece
Entre os visitantes, o fumeiro mantém-se como um dos produtos mais procurados, um complemento que já faz parte da identidade do certame.
Sílvia Felizardo, produtora presente na feira há 17 anos, confirma essa evolução.
“Sim, a castanha combina muito bem com o fumeiro. Quando comecei, havia mais stands de castanha. Agora há mais fumeiro também. Significa que é de boa qualidade e as pessoas levam. Tentamos fazer sempre cada vez melhor.”
Artesanato com raízes profundas
A componente artesanal também marca presença e reforça a ligação entre território, tradição e economia local.
Dinis Cunha, artesão de Vilar de Nantes, é presença constante desde a primeira edição.
“Faço esta feira desde sempre. Acho que estou a representar bem a nossa terra.”
Os cestos que produz, feitos com castanheiro bravo, têm um significado simbólico e prático.

“Os cestos adaptam-se muitíssimo bem a esta feira. A castanha vem do castanheiro manso e o cesto do castanheiro bravo. Há uma ligação natural. Parece-me impossível maior ligação”, explica este artesão.
Além disso, há ainda outros produtos para saborear no Pavilhão da Rota da Castanha, em Carrazedo de Montenegro: frutos secos, mel, vinhos, azeite, pão e outros produtos de pastelaria confecionados com castanha.
A noite do segundo dia do certame ficou ainda marcada pelo espetáculo musical dos Função Públika.
*Conteúdo com apoio à produção.


