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Feira da Castanha Judia de Carrazedo de Montenegro valoriza produção e dinamiza economia valpacense

A 28.ª Feira da Castanha Judia de Carrazedo de Montenegro, no concelho de Valpaços, arranca já no fim de semana de 7 a 9 de novembro, afirmando-se como o maior certame nacional dedicado à castanha.

Este ano, o evento contará com 87 expositores, cerca de 60% ligados diretamente à castanha, além de outros representantes do setor agroalimentar, vinhos, azeites e produtos regionais.

Organizada pela Câmara de Valpaços, em parceria com a Junta de Freguesia de Carrazedo de Montenegro e Curros, a Empreendimentos Hidroelétricos do Alto Tâmega e Barroso (EHTB) e a AgroFuturo, a feira é uma verdadeira montra da riqueza agrícola e cultural da região.

“Um produto que gera riqueza, fixa pessoas e dá identidade à região”

O presidente da Câmara de Valpaços, Jorge Mata Pires, sublinhou ontem, na apresentação do certame, a importância do evento e do setor da castanha para a economia local, considerando-o “um motor de desenvolvimento essencial para o concelho”.

“Qualquer iniciativa que realizamos no concelho é importante, mas esta tem uma relevância particular porque está inserida numa região produtora de castanha. Este é um produto central na nossa economia, uma monocultura da qual depende grande parte da população”, afirmou o autarca.

Segundo Jorge Mata Pires, a Feira da Castanha cumpre um duplo propósito: divulgar e valorizar o produto e, ao mesmo tempo, criar valor acrescentado.

“É fundamental aumentar a produção, mas também dar-lhe valor. O valor acrescentado cria postos de trabalho, fixa pessoas e gera riqueza. É este o caminho que queremos seguir para garantir futuro à nossa terra”, destacou.

Um ano de qualidade excecional

Depois de três anos de quebra na produção, o autarca confirma que 2025 está a ser um ano de recuperação, com uma produção três vezes superior à do ano anterior, embora com castanhas de menor calibre, devido à escassez de chuva.

“É uma castanha mais pequena, mas de qualidade excecional. Em termos sanitários, não há registo de doenças e é, sem dúvida, um bom ano para o setor”, garantiu.

O preço de venda deverá rondar os 4 a 4,5 euros por quilo. Apesar das variações climáticas, o presidente da autarquia assegura que “a castanha de Valpaços continua a ser uma das melhores do país” e que o produto não enfrenta dificuldades de escoamento, dada a sua elevada procura.

A par da qualidade da produção, um dos desafios do setor continua a ser a falta de mão de obra para a apanha, um problema que também afeta outras culturas agrícolas.

“Há escassez de trabalhadores, mas a mecanização da apanha tem ajudado a mitigar este problema”, referiu o esmo responsável, sublinhando o papel da inovação tecnológica na modernização da agricultura local.

A Feira da Castanha é, segundo o autarca, “um espaço privilegiado de negócio e de promoção territorial”, onde se cruzam produtores, comerciantes, empresários e visitantes de todo o país.

“A feira dinamiza a economia local e é um ponto de encontro entre tradição e inovação. O impacto económico da castanha é enorme. Estimamos que o setor movimente entre 50 e 70 milhões de euros anuais no concelho”, acrescentou.

Junta de Freguesia reforça empenho

Também o presidente da Junta de Freguesia de Carrazedo de Montenegro e Curros destacou o papel central do evento na vida da comunidade.

“Estes dias são de grande azáfama, coincidem com a apanha da castanha e exigem um esforço logístico enorme, mas tudo está a correr bem. É um orgulho manter viva esta tradição que representa tanto para as nossas gentes”, afirmou.

Com uma população fortemente ligada à produção, Carlos Sousa sublinha que “cerca de 90% das famílias vivem direta ou indiretamente da castanha”, o que torna este produto “a verdadeira rainha da freguesia”.

“A feira é a nossa montra. Mostra o melhor que temos, a castanha, os produtos endógenos, o artesanato e a hospitalidade da nossa terra. É um evento que queremos manter e melhorar ano após ano”, garantiu.

A organização espera receber entre 70 e 100 mil visitantes durante o fim de semana, um número que confirma a vitalidade e a crescente projeção nacional da Feira da Castanha Judia de Carrazedo de Montenegro.

Entre os destaques do programa estão o concurso da melhor castanha, provas de vinho e azeite, demonstrações gastronómicas, animação e o tradicional magusto, culminando na confeção do bolo gigante de castanha, preparado em conjunto com representantes da vila francesa de Beynat, geminada com Carrazedo de Montenegro.

Novidade internacional e reconhecimento europeu

Durante a apresentação, no Pavilhão Rota da Castanha, onde irá decorrer o certame gastronómico, foi também anunciada uma novidade de grande relevância para o setor: Carrazedo de Montenegro irá acolher, em setembro de 2026, o 16.º Encontro Europeu da Castanha, reunindo especialistas, produtores e representantes de vários países para debater o futuro da fileira.

A realização deste encontro surge num momento em que Valpaços foi distinguido como Cidade Europeia dos Produtos Biológicos 2025, reconhecimento atribuído pela União Europeia, que valoriza as boas práticas agrícolas e a sustentabilidade do território.

Castanha Judia de Carrazedo volta em força | “Este ano é um ano espetacular”, garante presidente da AgroFuturo

Depois de três anos difíceis para o setor, a produção de castanha em Carrazedo de Montenegro volta finalmente a sorrir. Quem o garante é Lino Sampaio, presidente da AngroFuturo, que descreve 2025 como “um ano espetacular”, marcado pela recuperação da quantidade e da qualidade do fruto.

“Este ano faz-nos rever alguns anos em que não tínhamos qualquer problema”, começa por referir. “Em termos de sanidade e de quantidade, voltamos ao que era. Olhamos para as árvores e vemos castanhas no solo, vemos os ouriços a abrir e outros prestes a abrir daqui a 15 ou 20 dias. Voltamos às castanhas do antigamente”, sublinha, visivelmente satisfeito com o cenário que se avizinha.

A explicação para a melhoria é difícil de apontar: “Não me pergunte qual foi o milagre”, brinca o dirigente e produtor, “mas as nossas plantas e este território reagiram. Felizmente, voltamos a ter produções que nos vão dar alguma rentabilidade”.

“O consumidor quer castanhas de qualidade, e quando procura uma castanha judia, procura simplesmente a melhor castanha do mundo. É isso que nós temos de oferecer”, assegura.

A associação representa produtores que chegam a colher entre 80 e 100 toneladas de castanha, o que demonstra a dimensão produtiva desta zona valpacense.

Grande parte dessa produção tem destino internacional: “Os grandes mercados do mundo vêm procurar as nossas castanhas: Canadá, Estados Unidos, Brasil, Itália… Todos querem um produto com qualidade, e essa qualidade encontra-se aqui, em Carrazedo de Montenegro”, sublinha.

Entre as características que tornam a castanha judia um produto de excelência, o responsável destaca o poder de descasque e a conservação excecional.

“Há quem diga que a nossa castanha não se descasca bem, isso é um mito. E tem um poder de conservação que nenhuma outra castanha tem”, garante.

O brilho, o sabor e o tamanho são também atributos que, segundo o produtor, fazem da castanha judia uma variedade única no mundo.

Programa completo da edição 2025

*Conteúdo com apoio à produção.

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