A Feira da Castanha Judia de Carrazedo de Montenegro terminou no domingo, deixando produtores e organização satisfeitos. Esta edição ficou marcada pela qualidade da castanha e também pelas novidades apresentadas durante os três dias do evento no Pavilhão Rota da Castanha.
O presidente da Câmara de Valpaços, Jorge Mata Pires, pela primeira vez a liderar o executivo municipal, mostrou-se satisfeito com o resultado desta feira.
“Foi uma feira que superou todas as expectativas, desde logo pela afluência e pela qualidade dos nossos expositores. Fechamos esta edição de coração cheio. Correu tudo muito bem e é um bom prenúncio para o trabalho que queremos desenvolver no próximo ano e as inovações que iremos implementar”, afirmou.
O autarca destacou ainda a qualidade da castanha deste ano e o papel dos produtores no reforço do certame.
“Os produtores estão de parabéns porque cada vez mais valorizam o seu trabalho, com o apoio da câmara, e dão brilho a esta feira, tornando-a ainda mais apelativa.”
Jorge Mata Pires sublinhou a importância da colaboração com a junta de freguesia e com a empresa intermunicipal EHATB – Empreendimentos Hidroeléctricos do Alto Tâmega e Barroso.

Para além da tradicional castanha, a feira trouxe este ano algumas novidades que conquistaram os visitantes.
A vice-presidente da câmara, Teresa Pavão, revelou algumas dessas inovações.
“Este ano, a sangria de castanha foi apresentada pela primeira vez e teve muita aceitação. Também surgiram novidades na pastelaria, como bolos e pão de castanha produzidos localmente, que despertaram grande interesse do público.”
O presidente da Junta de Freguesia de Carrazedo de Montenegro e Curros reforçou a ideia de que a feira se tornou um ponto de referência.
“A capital da castanha é em Carrazedo de Montenegro e não há volta a dar. Este ano recebemos visitantes de Braga, Felgueiras, Coimbra e até do Alentejo, o que demonstra o prestígio crescente da nossa feira”, disse Carlos Sousa.
Questionado sobre o futuro, o mesmo responsável deixou a promessa de novidades para a próxima edição.
“Para o próximo ano vamos ter surpresas e muitas inovações. Este ano ainda não tive tempo de as implementar, mas podemos garantir que a próxima feira será ainda melhor.”
Ano de excelência
Entre bancas repletas de frutos secos, doces inovadores e castanhas de calibre generoso, recolhemos várias opiniões que ajudam a traçar o retrato de um ano particularmente positivo para o setor.
Para muitos produtores, 2025 ficará na memória como “um ano raro”. No stand Ouro Monte, Catarina Pipa não escondeu o entusiasmo.

“A feira correu muito bem, superou as nossas expectativas. A castanha judia saiu imenso, assim como outros frutos secos. Foi um ano excelente: a quantidade triplicou e a qualidade surpreendeu pela positiva, apesar do ano seco.”
A produtora lembra ainda o impacto económico direto na região.
“Aqui vive-se essencialmente da castanha. Um ano bom reflete-se no comércio, nos agricultores, em toda a comunidade. Foi mesmo uma lufada de ar fresco”, contou Catarina Pipa.
Inovação que conquista o público
Estreante na feira, Carlos Espírito Santo trouxe propostas diferenciadoras, desde geleia de malagueta a geleia de pétalas de girassol. A criatividade nasce em família e entre amigos.
“Fazemos muitos testes em casa. Surgem ideias nos jantares e depois experimentamos. Criamos produtos que não se encontram noutro lugar.”
A reação dos visitantes tem sido surpreendente, confessa este valpacense.
“Ao início estranham, mas depois de provarem adoram. Percebem que o ‘diferente’ também sabe bem.”
Realizador de cinema, Carlos Espírito Santo concilia o trabalho artístico com este novo projeto.
“O meu sonho era trabalhar só na área do cinema aqui na região, mas por enquanto junto as duas coisas. E quem sabe, no futuro, unir ambos os mundos”.
Trinta e quatro castanhas para um quilo
Com castanhas de calibre raro, Armindo Lage foi o grande vencedor do Concurso da Castanha Judia.
“Este ano foi bem bom. Em comparação com anos anteriores, superou. Tinha castanhas tão grandes que dava trinta e quatro por quilo.”
Neste caso, a mecanização tem sido fundamental para responder à falta de mão de obra.

“A máquina ajudou muito. Não há pessoal, por isso a máquina veio resolver parte do problema”, explica Armindo Lage.
Ainda com a colheita a decorrer, este produtor estima colher cerca de oito toneladas. O destino divide-se entre mercado nacional e a exportação.
“Alguma fica cá, outra vai para fora. Podia ser melhor, mas não é mau.”
Juventude, criatividade e futuro
Outro destaque da feira foi o projeto inovador de Mário Esteves, que criou um mostrador publicitário para a marca familiar, Mel Montenegro, como prova final do curso na Escola Profissional de Chaves.
O dispositivo integra dispensadores de mel e licor de mel, e um ecrã que explica todo o processo de produção.
“Foi totalmente construído por mim, com ajuda de colegas na parte eletrónica. Ocupou-me o ano inteiro”, disse.
A apresentação impressionou visitantes, incluindo o secretário de Estado presente na inauguração.
Atualmente a estudar Segurança e Proteção Civil no Instituto Politécnico de Tomar (IPT), Mário Esteves continua ligado à empresa familiar, que produz mel, azeite, jeropiga e outros produtos locais.
“O próximo projeto já está a ser pensado. Talvez algo ligado ao azeite, que também temos em abundância no concelho”, revela.
*Conteúdo com apoio à sua produção.


