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Eurocidade Chaves – Verín testa acessibilidades com utentes da Associação Flor do Tâmega

A inclusão ganhou mais força na ação social do projeto transfronteiriço “Descubra a Eurocidade Chaves–Verín | O outro lado que também é nosso”, inteiramente dedicada a pessoas com mobilidade reduzida e outras limitações de saúde. Em parceria com a Associação Flor do Tâmega, a iniciativa levou um grupo de participantes além-fronteira para conhecer Verín, colocando à prova as condições de acessibilidade.

Mais do que uma visita cultural, a ação assumiu-se como um exercício prático de cidadania e planeamento inclusivo, onde cada percurso, entrada ou espaço visitado serviu para avaliar barreiras arquitetónicas, constrangimentos e boas práticas.

Para Júlio Costa, responsável da Ideias Essenciais Tours & Eventos, entidade que venceu o concurso público para a execução do projeto, esta foi uma das ações mais marcantes de todo o programa.

“Foi, sem dúvida, uma das experiências mais gratificantes. Não só pela organização em si, mas sobretudo pelo impacto que teve nas pessoas. Ver a felicidade estampada na cara de quem, diariamente, lida com limitações significativas, é algo que nos marca”, sublinha.

O percurso incluiu a visita à sede da Eurocidade e ao Parador de Monterrei, locais que, segundo o organizador, demonstraram estar preparados para receber pessoas com mobilidade condicionada.

“Encontrámos rampas adequadas, casas de banho adaptadas e acessos funcionais. Isso fez toda a diferença para que o grupo se sentisse confortável e seguro”, explica Júlio Costa.

Já a visita à Fonte de Cabreiroá acabou por não se concretizar, devido ao encerramento da entrada principal, o que implicaria deslocações longas e pouco adequadas ao perfil do grupo.

“Este é um público que exige mais tempo, mais atenção e mais diálogo. Não porque o peçam, mas porque as suas limitações assim o exigem. E isso tem de ser respeitado.”

Também do lado português, a experiência foi replicada com utentes do Centro Ocupacional da Fundación para a Protección dos Discapacitados Psíquicos da Comarca de Verín, convidados a conhecer Chaves. O grupo visitou a sede da Eurocidade, as Termas de Chaves, o Posto de Turismo do Alto Tâmega, o Castelo e a zona envolvente.

“As Termas, o Posto de Turismo e toda a área do castelo apresentaram condições adequadas para este público. Foi possível circular com autonomia e conforto”, confirma o responsável.

Um projeto que aproxima pessoas

O alcance do projeto vai muito além desta ação específica. Segundo Pablo Rivera, diretor executivo da Eurocidade Chaves–Verín, a iniciativa nasce de uma constatação simples, mas reveladora: “Percebemos que muitas pessoas de Chaves não conheciam Verín e muitas de Verín não conheciam Chaves. Tão perto, mas tão longe. Este projeto surge precisamente para contrariar isso”, afirma.

Ao contrário de iniciativas pensadas para turistas, esta aposta foi dirigida aos próprios eurocidadãos.

“Não é um projeto de viagens. É um projeto social, cultural e comunitário. Queremos que as pessoas se reconheçam neste território comum, que descubram o património termal, cultural e humano que existe dos dois lados da fronteira.”

O programa integrou dez ações, distribuídas por públicos distintos: população em geral, comunidade escolar e pessoas com mobilidade reduzida, num total de cerca de 120 participantes.

“Foi um desafio grande, mas necessário. Trabalhar com públicos tão diferentes obriga a adaptar metodologias e ritmos, mas enriquece muito o projeto”, reconhece Pablo Rivera.

A adesão superou as expectativas, com atividades que esgotaram rapidamente.

“Houve ações em que as inscrições fecharam em poucos dias. Isso mostra que havia uma necessidade real de criar este tipo de ligação entre comunidades”, revela o mesmo responsável.

Um modelo com impacto europeu

A experiência foi recentemente apresentada num intercâmbio europeu em Gorizia e Nova Gorica, na fronteira entre Itália e a Eslovénia.

“Falamos de uma prática pioneira a nível transfronteiriço. O interesse foi enorme e ficou claro que este modelo pode ser replicado noutros territórios”, destaca o diretor executivo da Eurocidade.

Com o encerramento do projeto previsto para 2025, a ambição passa agora pela continuidade.

“O impacto foi muito positivo e ficaram muitas pessoas de fora. Estamos a trabalhar para garantir condições que permitam avançar para uma nova edição em 2026”, revela Pablo Rivera.

O projeto “Descubra a Eurocidade Chaves – Verín | O outro lado que também é nosso” integra a operação “Eurocidade Termal e da Água”, cofinanciada pela União Europeia através do Interreg VI-A Espanha-Portugal (POCTEP) 2021-2027.

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