Santa Maria de Émeres, no concelho de Valpaços, prepara-se para prestar homenagem à iguaria típica daquela terra e que já conta com séculos de história. A VI Festa do Bolo Podre, que acontece já a 3 de março, promete deliciar palato e entusiastas das caminhadas pela natureza.
O presidente da Junta de Freguesia (JF) de Santa Maria de Émeres explica que o certame gastronómico do bolo podre contribui para o sustento das famílias e é uma forma de preservar este doce que já é confecionado há largos anos.
“Quisemos aproveitar algumas potencialidades que a nossa freguesia tem, como a gastronomia, as paisagens, as gentes e os seus saberes”, referiu António Silva.
A VI Festa do Bolo Podre, que acontece no domingo, dia 3 de março, em Santa Maria de Émeres, no concelho de Valpaços, contará com mais de três dezenas de expositores, onde vão estar também outros produtos locais, como o azeite, vinho, mel e frutos secos.

António Silva conta que a tradição do bolo podre naquela localidade já existe há vários anos, sendo um saber ancestral que vai passando de geração em geração.
“Eu lembro-me que, quando eu tinha sete ou oito anos, na Semana Santa, tínhamos um dia para elaborar os folares e um outro dia para fazer os bolos”.
Daí nasceu esta Festa do Bolo Podre, iguaria que não faz justiça ao nome já que se trata de uma espécie de pão com azeite e de sabor a canela.
Amendoeiras em flor são grande atrativo
A sua confeção leva “ingredientes que toda a gente conhece”, garante o autarca da JF e enumera: “Farinha, açúcar, chá de canela, laranja, azeite,… mas o que faz a diferença relativamente aos outros são as mãos, os saberes da gente da nossa freguesia”, salienta
“Esse é o maior segredo da receita do bolo podre, com certeza”, acrescentou.
Além do bolo podre, outro dos atrativos desta freguesia é a paisagem natural, preenchida com várias amendoeiras que por esta altura do ano florescem, embelezando ainda mais o cenário desta típica localidade valpacense, onde a principal atividade é a agricultura.

“Quando pegamos na ideia de fazer uma festa a um produto nosso, ao bolo podre, pensamos também nas outras vertentes que a nossa freguesia oferece e que são uma mais-valia”, referiu o presidente da JF de Santa Maria de Émeres.
Neste contexto, no dia da feira os visitantes vão poder participar na caminhada “Rota das Amendoeiras em Flor”, cuja inscrição é de “5 passos” com direito a t-shirt, seguro, pequeno-almoço e almoço com produtos locais. Para os amantes das duas rodas, a freguesia promove este ano, pela primeira vez, um circuito para bicicletas.
Esta é também “uma região cinegética por eleição”, lembra António Silva, e, em parceria com o clube caça e pesca, será organizada uma largada de perdizes.
O autarca revela que em 2020 rumaram até à freguesia para celebrar o bolo podre 620 caminheiros. No ano passado, foram 420 participantes, um número menor devido às condições meteorológicas adversas. A edição deste ano conta já com 400 inscritos, oriundos de Norte a Sul do país e da Galiza (Espanha).
Acrescentar que haverá animação ao longo de todo o certame, que pretende afirmar os saberes, os produtos locais, bem como a paisagem natural deste território transmontano.
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