
Por Jorge Fonseca | Líder em Forest School Nível 3
Menos controlo, mais confiança: o caminho para crianças mais seguras e equilibradas
Ser pai ou mãe hoje implica, muitas vezes, uma vigilância constante.
Queremos proteger, evitar frustrações e garantir o bem-estar dos nossos filhos.
Mas surge uma questão essencial: será que proteger em excesso pode limitar o desenvolvimento emocional?
As crianças precisam de segurança, mas também de oportunidades para lidar com desafios.
É através da experiência — incluindo erros e frustrações — que desenvolvem competências de autorregulação emocional.
Quando o adulto intervém constantemente, resolve problemas ou antecipa dificuldades, a criança pode não desenvolver ferramentas internas para lidar com situações futuras.
Confiar não é deixar de cuidar. É reconhecer a capacidade da criança para enfrentar desafios adequados à sua idade.
Ambientes mais livres favorecem este processo. A criança toma decisões, adapta-se, experimenta.
Observação em contexto Forest School:
Durante uma atividade em dia de chuva, uma criança de 3 anos mostra-se inicialmente desconfortável com a lama e a água.
Em vez de a retirar da situação, o adulto mantém-se próximo, validando o desconforto sem resolver por ela.
Gradualmente, a criança começa a explorar com os pés, depois com as mãos, acabando por se envolver numa brincadeira de “cozinhar sopa de lama”.
No final, demonstra satisfação e orgulho.
O processo revelou adaptação, superação e regulação emocional sem intervenção diretiva.
Este tipo de experiências contribui para crianças mais calmas, seguras e autónomas.
Cuidar também é saber dar espaço.
Porque, ao confiar mais, estamos a preparar melhor.
Caso queira colocar questões poderá contactar através do email
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