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Opinião | Cuidar da mente

Por António Augusto

Cuidamos do corpo como quem cumpre um protocolo, mas tratamos a cabeça como se fosse indestrutível. Aguenta tudo, pensa tudo, resolve tudo e ainda tem de estar bem-disposta. Quando começa a falhar, dizemos que estamos stressados, como se fosse um pequeno detalhe técnico e não um aviso claro de que alguma coisa já vai em sobrecarga.

Vivemos com a mente em modo multitarefa. Pensamos no que temos de fazer, no que ficou por fazer e no que ainda nem começou, tudo ao mesmo tempo. Achamos que somos organizados, mas no fundo, é só uma forma de vivermos numa confusão bem vestida que vai minando a paciência, o sono e até o humor.

Fazemos pausas ao telemóvel, mas não damos pausas à cabeça. Atualizamos aplicações, limpamos memória e reiniciamos aparelhos, mas achamos estranho precisar de silêncio, descanso ou de simplesmente não pensar em nada durante uns minutos. Depois estranhamos quando nos sentimos cansados sem ter feito nada que justificasse o cansaço.

A cabeça também cansa. Cuidar da mente não é um luxo, é manutenção básica. E talvez seja isso que mais falta faz numa vida que nos exige muito, mas está demasiado ocupada para nos ensinar que parar também faz falta.

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