A Feira do Folar de Valpaços arrancou ontem, sexta-feira, contando com a presença do ministro da Presidência, António Leitão Amaro, que destacou a importância do certame na valorização dos produtos locais e na dinamização do Interior, num concelho considerado como referência gastronómica no Norte do país.
A cerimónia inaugural do certame gastronómico contou com a presença do Ministro da Presidência, António Leitão Amaro, do presidente da Câmara Municipal, Jorge Mata Pires, e da presidente da Assembleia Municipal e secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, entre várias entidades regionais e nacionais.
Logo na abertura, foi destacada a importância da feira num território distinguido como Cidade Europeia dos Produtos Biológicos, reforçando o papel de Valpaços enquanto referência agrícola, gastronómica e cultural.
Na sua intervenção, o presidente da Câmara de Valpaços lembrou o crescimento e afirmação da feira ao longo dos anos, sendo, na sua opinião, um evento estruturante para o concelho.

“Falamos de um dos maiores eventos económicos da região e o principal certame organizado no nosso concelho. Uma verdadeira montra da nossa identidade, das nossas tradições e daquilo de melhor que sabemos fazer”, disse Jorge Mata Pires.
O autarca referiu ainda que o sucesso da iniciativa resulta de um esforço coletivo ao longo de décadas, deixando um reconhecimento especial aos que estiveram na origem do projeto.
“Permitam-me uma palavra muito especial para o grupo de jovens que, em 1998, deu o primeiro passo para aquilo que é hoje uma das maiores referências gastronómicas da nossa região”, destacou.
Com 105 expositores, todos do concelho, a feira apresenta uma vasta oferta de produtos locais, com especial enfoque no folar de Valpaços IGP.
“O destaque vai, naturalmente, para o folar de Valpaços IGP, o único folar certificado do país, símbolo maior da nossa tradição, da nossa identidade e da nossa capacidade de projetar o futuro”, apontou.
Impacto económico e ambição de crescimento
O presidente da autarquia evidenciou também o impacto económico do evento, com reflexos diretos na hotelaria, restauração e comércio local.
“Durante estes dias, Valpaços afirma-se como um verdadeiro destino gastronómico e turístico, com hotelaria e restauração esgotadas”, sublinhou.
Face ao crescimento contínuo, Jorge Mata Pires revelou ainda a intenção de ampliar o espaço do certame.

“Estamos a concluir um projeto de ampliação do pavilhão multiusos, que permitirá responder à dimensão que esta feira já atingiu e àquela que ainda queremos alcançar”, anunciou.
Apelo ao reforço de políticas para o Interior
O dirigente valpacense deixou um apelo ao Governo para uma maior atenção aos territórios do Interior.
“É fundamental que o Governo continue e reforce a valorização dos territórios do Interior, apoiando as empresas que criam valor e mantêm vivas as tradições”, afirmou.
O autarca alertou também para as dificuldades sentidas pelo setor agrícola, nomeadamente o aumento dos custos de produção.
“Sem agricultura não há coesão territorial nem futuro para o Interior”, frisou.
Governo destaca valor económico dos produtos locais
Na sua intervenção, o Ministro da Presidência reforçou a importância estratégica de iniciativas como a Feira do Folar na dinamização dos territórios.
“A importância é grande. Cada vez que estou no Governo, venho cá. Isto mostra que se fazem produtos de grande qualidade, não apenas porque são saborosos, mas porque são feitos com distinção e passam por um processo de certificação”, afirmou.
O governante destacou que essa certificação permite valorizar economicamente os produtos.
“Isso permite que possam ser vendidos por valores mais elevados. Significa mais recursos a virem para a terra e para as pessoas que aqui vivem”, referiu.
Entre os exemplos apontados, destacou produtos emblemáticos da região como o folar, o azeite, o vinho, a castanha e “vários produtos da região que representam o melhor que o território tem para oferecer”.
Gastronomia, cultura e agroindústria como motores de desenvolvimento
Para António Leitão Amaro, setores como a gastronomia, a agroindústria e as indústrias culturais assumem hoje um papel central na criação de riqueza nos territórios do Interior.

“Indústrias culturais, indústrias gastronómicas e agroindústria são formas de gerar riqueza, riqueza que paga às pessoas, e é disso que vivem”.
O ministro destacou ainda o efeito multiplicador destes eventos.
“Há à volta disto tudo a dinamização do nome da terra e a capacidade de trazer mais turistas”, sublinhou.
Questionado sobre a fixação de população, o governante defendeu soluções adaptadas à realidade de cada território.
“Há várias estratégias diferentes em função de cada território. A primeira é olhar para as suas potencialidades e aproveitá-las”, explicou.
Neste contexto, António Leitão Amaro salientou o papel da Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega e Barroso na articulação entre municípios.
“Não cabe ao Governo Central escolher o modelo de desenvolvimento de cada município. Cabe à estratégia local, em articulação com os municípios vizinhos”.
Estado deve garantir serviços públicos no Interior
Ao nível das responsabilidades do Estado, o ministro da presidência defendeu a manutenção de serviços públicos como fator essencial para a coesão territorial.
“O Estado tem que dar apoio e asas a estes projetos, garantir serviços públicos de qualidade e não fechar no Interior”, sublinhou.
“Não se pode fechar o Estado no Interior. Tem que manter escolas, serviços de saúde e presença institucional”, acrescentou.
O governante destacou ainda o caso de Valpaços como exemplo de evolução positiva na área da saúde.
“Hoje temos aqui serviços de saúde a crescer, com boa cobertura de médicos de família e parcerias que permitem acesso a consultas e cirurgias”, referiu.
Para o ministro, este é um sinal de colaboração eficaz entre instituições.
A Feira do Folar de Valpaços decorre até amanhã, domingo, no pavilhão multiusos, e além da gastronomia, o programa é complementado com várias iniciativas desportivas, culturais e de animação musical.
*Conteúdo com apoio na sua produção.


