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“Desgarrada” | Filme rodado em Boticas é uma ode à ruralidade

O realizador Flávio Ferreira escolheu Boticas para gravar “Desgarrada” pois considera que a vila transmontana, com uma paisagem natural tão vasta e gentes genuínas, se encaixa “de uma maneira absolutamente perfeita”.

O filme “explora os temas da maternidade, amor e perda, comprometendo-se a mostrar a realidade da ruralidade portuguesa, um lado do país tantas vezes ignorado” e conta com a participação de atrizes e atores renomados, como é o caso de Isabel Abreu (Lívia), Rita Cabaço (Joana), Teresa Madruga (Ana Maria) e Alberto Rolán (Carlos).

“Começámos a filmar há cerca de quatro semanas, mas já temos aqui pessoas da equipa, eu diria, há dois meses. Inicialmente temos uma equipa mais reduzida que depois vai crescendo à medida que se aproxima o filme”, conta Flávio Ferreira. O grupo, equipa técnica e atores, inclui “mais ou menos 30 pessoas”.

O realizador explica “que sempre foi pensado para ser rodado no Norte”.

“E depois Boticas, especificamente, fazia sentido para nós porque é um filme que tem muita relação com a montanha. Ou seja, tem uma série de sítios ou de identidades paisagísticas que estávamos à procura e que Boticas se encaixa de uma maneira absolutamente perfeita para o que nós queríamos. Por isso, Boticas fazia todo o sentido”, sublinhou.

Primeira longa-metragem de ficção

Este é um filme produzido pela Fado Filmes, de Luís Galvão Teles, que também já tinha escolhido como cenário as paisagens da vila transmontana para rodar “Histórias da Montanha”, onde Flávio Ferreira participou como editor.

“Apesar de ser um contexto completamente diferente porque ‘Histórias da Montanha’ é uma série de época e este é um filme na atualidade. A série deu-me a conhecer um bocadinho a identidade desse espaço. Por isso, depois decidi cá vir ver e perceber se resultava e claramente resultava muito bem”, afirmou.

Pelas particularidades do espaço, mas também pelas pessoas, lembra o realizador: “Quando falamos de um café, precisamos de pessoas verdadeiras para lá estar. Nós ainda há dois dias fizemos uma recriação de uma desgarrada e uma recriação de uma parte de uma festa de aldeia e tivemos 50, quase 60 pessoas, até às 5 horas da manhã a filmar. Boticas enquadra-se um bocadinho nesses dois lados, há um lado, digamos, visual e físico e depois há um lado pessoal e de pessoas e de ambiente que se cria”.

Várias vezes premiado em festivais nacionais e internacionais, tendo inclusive conquistado o “Prémio Sophia” pela Academia Portuguesa de Cinema, a “Desgarrada” é a primeira longa-metragem de ficção deste cineasta.

“Eu já tinha feito curtas-metragens, tanto documentais como de ficção e esta é a minha primeira longa-metragem. O processo no cinema português é relativamente semelhante, que é tentar uma estreia num bom festival internacional, depois uma estreia de cinema e depois uma estreia em televisão que já está assegurada. Por isso, o filme passará depois na RTP1”, adiantou.

Filme conta com o apoio da RTP1

As atrizes Isabel Abreu e Rita Rabaço interpretam o papel de duas irmãs: uma delas divorciada e com um único objetivo, o de encontrar o filho; a outra, com uma personalidade mais terna, é responsável por cuidar da mãe (Teresa Madruga) e dos animais que dão sustento à casa na aldeia onde vivem.

“Tivemos muita sorte, é um grande privilégio termos um elenco tão bom, para além de uma equipa técnica também incrivelmente profissional e capaz. Tudo isso conjugado à recetividade de Boticas e das suas pessoas que nos têm ajudado. Um filme deste é muito feito da ajuda que as pessoas nos dão e temos sido muito, muito ajudados”, lembrou Flávio Ferreira.

O elenco e equipa técnica escolheram o Boticas Hotel Art & Spa para passarem a sua estadia enquanto a longa-metragem está a ser gravada. No último sábado juntaram-se à festa de aniversário desta unidade hoteleira de quatro estrelas que celebrou 11 anos de vida.

“É a nossa casa há mais de um mês. Damo-nos muito bem com o pessoal do hotel, eles felizmente têm muita paciência. Somos um grupo grande, se calhar não o tipo de clientela habitual daqui, mas eles têm sido muito pacientes connosco e nós tentamos um bocadinho dar animação e criar algumas amizades com as pessoas que aqui trabalham”, destacou.

Com estreia em 2026, o cineasta refere ainda que quer sobretudo fazer um bom trabalho em que “deixe toda a gente orgulhosa”.

“Nós aqui não pensamos em prémios, só tentamos fazer o melhor que conseguimos e esforçamo-nos ao máximo e depois o que vem, vem, o que não vem, não vem, mas pelo menos tentarmos fazer um filme que deixe toda a gente orgulhosa. Acima de tudo esse é o nosso grande objetivo e ser justo para a história e para todas as pessoas que estão aqui a trabalha, concluiu.

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