A Ministra da Saúde visitou, sexta-feira, 19 de dezembro, os hospitais de Chaves e de Lamego para a inauguração da nova Sala de TAC e do novo CRI – Centro de Diálise, respetivamente, investimentos que traduzem aumento da capacidade, maior proximidade aos cuidados de saúde e melhores condições para utentes e profissionais.

A visita à região integrou o périplo nacional que Ana Paula Martins está a realizar pelas unidades de saúde, com o objetivo de acompanhar no terreno a resposta aos desafios típicos desta época do ano, nomeadamente as doenças sazonais, a gestão das urgências e a articulação entre os diferentes níveis de cuidados.
Para além das inaugurações, a ministra visitou serviços de urgência e reuniu com conselhos de administração e profissionais de saúde, sublinhando a importância do diálogo direto com quem assegura diariamente o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Apesar dos investimentos realizados, para o presidente da Câmara de Chaves é essencial que sejam finalmente resolvidos problemas estruturais que persistem na unidade hospitalar local.
Nuno Vaz disse aos jornalistas, antes de Ana Paula Martins chegar, que espera que, no início do próximo ano, sejam concretizadas respostas há muito aguardadas pela população, como a reativação da urgência pediátrica, o internamento em pediatria e a abertura da Unidade de Cuidados Intermédios. Defendeu ainda que esta visita deve marcar uma inversão daquilo que considera ser uma tendência de excessivo centralismo na concentração de serviços e recursos humanos na Unidade Hospitalar de Vila Real, em detrimento das unidades periféricas.
Segundo o autarca, a falta de transparência e de informação clara sobre os critérios de distribuição de profissionais de saúde agrava o sentimento de desigualdade. Apontou como exemplo a área da pediatria e da medicina interna, referindo que, enquanto Chaves enfrenta dificuldades recorrentes para assegurar respostas básicas, Vila Real concentra dezenas de especialistas nessas áreas.

O presidente da câmara revelou ainda que foi recebido recentemente pela Ministra da Saúde, após cerca de dez meses de insistência, reunião na qual apresentou uma lista de cerca de uma dúzia de questões concretas relacionadas com a urgência médico-cirúrgica, a pediatria, a Unidade de Cuidados Intermédios, o aumento da cirurgia de ambulatório e a situação da ULS. Embora reconheça a abertura ao diálogo, considera que o tempo das palavras está esgotado e que a população exige agora respostas claras, prazos definidos e soluções efetivas.
Na sua perspetiva, a carência de recursos humanos é hoje o principal entrave ao normal funcionamento da unidade hospitalar de Chaves. Nuno Vaz alertou ainda que a pressão constante sobre os profissionais pode levar ao agravamento da situação, com risco de perda de mais recursos, comprometendo ainda mais a resposta assistencial e a confiança da população no sistema de saúde local.
O autarca concluiu defendendo uma gestão mais equilibrada e equitativa dos recursos da Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro, sublinhando que Chaves e Lamego devem ser tratadas como partes integrantes de uma mesma unidade, com justiça territorial e respeito pelas necessidades reais das populações que servem.



