O CineTeatro Bento Martins, em Chaves, exibiu ontem, sexta-feira, o premiado filme “Criadores de Ídolos”, do realizador Luís Diogo, e a apresentação do novo videoclip “Tokyo Yūgen”, do músico flaviense DJWILD, autor da banda sonora original da longa-metragem.
Após o êxito de “Immortal”, que chegou ao 1.º lugar do Beatport Top 100, DJWILD regressa agora com “Tokyo Yūgen”, tema que já alcançou o 2.º lugar do mesmo ranking internacional. O videoclip, realizado pelo próprio músico, transporta a narrativa para paisagens japonesas.
“No primeiro videoclip filmei entre Portugal e Espanha; agora quis levar a história mais longe, até ao Japão,” contou o artista à Komunica Magazine.
“‘Tokyo Yūgen’ é, de certa forma, a continuação de ‘Immortal’. Mantém a mesma personagem, mas num novo contexto e com um final inesperado”, acrescentou.
O músico revelou ainda que parte das cenas com a atriz Rafaela Sá, protagonista do filme, foram filmadas em Chaves.
“Trabalhar com o Luís é um desafio e uma responsabilidade. Há uma tensão criativa, mas também uma confiança mútua. No fim, tudo o que fazemos é tentar que o filme e a música cheguem mais longe”, disse DJWILD.
“Criadores de Ídolos”: um thriller português com alma internacional
Realizado por Luís Diogo, “Criadores de Ídolos” estreou em Portugal a 18 de setembro e conta com José Fidalgo, Ricardo Carriço, Oceana Basílio e Virgílio Castelo nos principais papéis, marcando ainda a estreia de Rafaela Sá no cinema.
O filme mergulha numa narrativa provocadora sobre uma ordem secreta que encena a morte de celebridades para as transformar em ídolos, questionando a relação entre fama, poder e imortalidade.
Em entrevista, Luís Diogo revelou que a ideia nasceu após a morte de Amy Winehouse.
“Pensei que seria interessante se houvesse um grupo por trás destas mortes precoces de celebridades. A partir daí, construí um universo que mistura ficção, crítica social e uma boa dose de suspense. É um thriller psicológico, uma sátira ao modo como o mundo cria e consome ídolos”, resumiu o realizador.
A produção foi distinguida com o Prémio de Melhor Filme Português no Fantasporto, Melhor Filme no Cobb International Film Fest (EUA) e várias nomeações internacionais, consolidando Luís Diogo como um dos cineastas portugueses mais premiados da atualidade.
Sobre a colaboração com DJWILD, o realizador é perentório: “Trabalhar com o Filipe é trabalhar com alguém que entende a linguagem do cinema. Ele não faz apenas música, cria atmosfera, emoção e ritmo narrativo. É por isso que ele está em todos os meus filmes.”
Um cinema que vive fora do sistema
Apesar do sucesso, o realizador reconhece as dificuldades de promover cinema independente em Portugal.
“Não é um filme do sistema. Não tem o apoio promocional da RTP nem as campanhas televisivas que outros têm. Por isso, cada sessão é quase uma conquista pessoal”, admitiu.
Ainda assim, o entusiasmo com a exibição em Chaves foi ontem evidente.
“O filme passa hoje em várias cidades, mas estar aqui, com o Filipe, é especial. Há uma energia única nesta ligação entre o cinema e a música que nasce em Chaves e vai até ao Japão”, destacou.
Luís Diogo e DJWILD já se conhecem há mais de uma década. O realizador recordou o primeiro contacto com o músico.
“Estava a ouvir uma conversa no carro entre duas irmãs que falavam de um DJ de Chaves. Fui ouvir e percebi logo que queria trabalhar com ele. Assim começou esta parceria que já vai no quarto projeto”, revelou.
Além da sessão especial de ontem, o filme volta a ser exibido amanhã, domingo, 5 de outubro, em três horários: 15h00, 18h00 (sessão que voltará a contar com a presença do realizador Luís Diogo e a eventual participação da protagonista Rafaela Sá) e 21h30.



